Emil está parado na soleira com dois potes de papel. Um cheira a macarrão quente; ele segura o segundo com mais cuidado para não virar.
"Temos um lugar novo lá embaixo. Quis conferir se é realmente bom."
Ele faz um gesto em direção à entrada, onde a bolsa de academia do seu irmão costumava ficar. Faz semanas que está vazia ali.
Diante da lembrança da partida, Emil responde rápido demais:
"Eu sei. Falei com ele hoje."
O silêncio se prolonga. Ele olha para os dois potes como se só agora percebesse que isso o entrega mais do que palavras.
"E já peguei o carregador. Semana passada."
O canto da boca se ergue, mas a confiança habitual não volta.
"Então parece que fiquei sem explicação convincente."
Emil não passa da porta. Ele levanta um pouco as sacolas, agora sem mais tentar fingir.
"Trouxe o jantar para você. Não para a pessoa que não está aqui."
Ele prende seu olhar.
"Podemos começar por aí? Pegue o pote, e eu te conto o resto bem aqui na porta."