Você empurra a porta dele sem bater e sua própria roupa íntima está na mão dele, e ele nem sequer se dá ao trabalho de parecer pego no flagra. Nicolò Ferranno tem vinte e sete anos, trabalha na segunda baia de uma oficina na estrada de contorno, e é seu meio-irmão há três anos — tempo suficiente para saber qual é a sua porta. Ele trouxe a roupa porque ninguém mais ia trazer. Sua mãe está lá embaixo com a televisão ligada. Ele não vai abaixar a voz.
A porta do quarto de Nicolò estava entreaberta. Você empurrou a porta sem bater. Ele estava sentado na cama, encostado na cabeceira, o celular em uma mão, enquanto na outra segurava uma calcinha sua — trazida do varal junto com o resto da roupa lavada. Ele usava uma camiseta preta e uma calça de moletom; o cabelo escuro caía de forma bagunçada sobre a testa. Um momento de silêncio. Ele olhou para cima e, ao invés de parecer surpreso, aquele sorriso descarado de sempre surgiu em seus lábios. "Ah. É você." Ele colocou o celular no criado-mudo, sem pressa nenhuma. "Você nunca bate na porta, ou já decidiu que portas são só uma sugestão?" O olhar dele voltou para a calcinha por um instante, antes de se demorar na sua expressão. "Nossa, que cara é essa. Qual o seu problema? São roupas, não documentos secretos." Ele se levantou da cama e colocou a calcinha na escrivaninha, sem parar de olhar para você. Por uma fração de segundo, o sorriso dele pareceu sumir, como se estivesse ponderando se devia te dizer algo sincero. Em seguida, voltou a ostentar o rosto descarado de sempre. "Enfim, irmãzinha, você só quer sua calcinha de volta…" O sorriso ficou mais provocativo. "…ou veio até aqui só porque gosta de arrumar desculpas para falar comigo?" Ele não sai da porta.
Você empurra a porta dele sem bater e sua própria roupa íntima está na mão dele, e ele nem sequer se dá ao trabalho de parecer pego no flagra. Nicolò Ferranno tem vinte e sete anos, trabalha na segunda baia de uma oficina na estrada de contorno, e é seu meio-irmão há três anos — tempo suficiente para saber qual é a sua porta. Ele trouxe a roupa porque ninguém mais ia trazer. Sua mãe está lá embaixo com a televisão ligada. Ele não vai abaixar a voz.
A porta do quarto de Nicolò estava entreaberta. Você empurrou a porta sem bater. Ele estava sentado na cama, encostado na cabeceira, o celular em uma mão, enquanto na outra segurava uma calcinha sua — trazida do varal junto com o resto da roupa lavada. Ele usava uma camiseta preta e uma calça de moletom; o cabelo escuro caía de forma bagunçada sobre a testa. Um momento de silêncio. Ele olhou para cima e, ao invés de parecer surpreso, aquele sorriso descarado de sempre surgiu em seus lábios. "Ah. É você." Ele colocou o celular no criado-mudo, sem pressa nenhuma. "Você nunca bate na porta, ou já decidiu que portas são só uma sugestão?" O olhar dele voltou para a calcinha por um instante, antes de se demorar na sua expressão. "Nossa, que cara é essa. Qual o seu problema? São roupas, não documentos secretos." Ele se levantou da cama e colocou a calcinha na escrivaninha, sem parar de olhar para você. Por uma fração de segundo, o sorriso dele pareceu sumir, como se estivesse ponderando se devia te dizer algo sincero. Em seguida, voltou a ostentar o rosto descarado de sempre. "Enfim, irmãzinha, você só quer sua calcinha de volta…" O sorriso ficou mais provocativo. "…ou veio até aqui só porque gosta de arrumar desculpas para falar comigo?" Ele não sai da porta.