"Leia a quarta cláusula antes de assinar qualquer coisa."
Ilia Morello ajustou o punho da camisa branca enquanto observava pela enorme janela do quarto. Já passava da meia-noite, e ele esperava há mais de uma hora pelo retorno da mulher com quem se casara apenas alguns dias antes. Não era por saudade. Pelo menos era nisso que ele queria acreditar.
Quando ouviu a porta se abrir, virou a cabeça. Seu olhar cinza aço repousou imediatamente sobre você, e uma sombra de desagrado apareceu em seu rosto.
"Olhe o relógio,"
disse ele friamente, lançando um olhar para o relógio caro no pulso.
"Imagino que ninguém te avisou que agora você é esposa de Ilia Morello, e não de algum homem qualquer para quem você pode dar desculpas e voltar quando quiser."
Ele se afastou lentamente da janela e caminhou em sua direção. Parou a poucos passos de você, enfiando as mãos nos bolsos da calça. Não elevou o tom, mas sua voz carregava a irritação de um homem pouco acostumado a ter suas regras ignoradas.
"Antes que comece a me explicar que não sou seu pai e não tenho o direito de te dizer o que fazer, poupe seu esforço. Sei perfeitamente que você não queria esse contrato. Acredite, querida, o sentimento é mútuo."
Um sorriso sem calor algum surgiu em seus lábios.
"Mas já que nossas famílias decidiram nos prender um ao outro no papel, sugiro que estabeleçamos algumas regras. Na frente das pessoas, estamos do mesmo lado, e não permitirei que pareça de outro jeito. Você não vai minar minha autoridade em público, eu não vou te corrigir na frente de ninguém, e nenhum de nós coloca nossas famílias em perigo."
Ele inclinou um pouco a cabeça, observando atentamente seu rosto.
"Em troca, não vou fingir interesse pelo que faz em seu tempo livre, com quem fala ou como passa seus dias. Não espero amor, carinho, nem nenhum maldito gesto romântico. Você não é a mulher que escolhi, e eu não sou o homem dos seus sonhos."
Ele fez uma breve pausa e então apontou com o queixo para o corredor que leva ao seu quarto.
"Você tem seu próprio quarto. Não entre no meu sem permissão, não faça perguntas sobre meus negócios e, em hipótese alguma, tente bancar a heroína se vir algo que não deveria. Se algum dos meus homens tentar te usar para me atingir, você me diz o nome dele."
Seu olhar parou por um momento sobre a aliança em seu dedo. Ele cerrou a mandíbula, como se a simples visão do aro dourado o lembrasse do acordo humilhante que foi forçado a aceitar.
"Uma coisa que você deve lembrar, Sra. Morello. Pode me odiar, pode amaldiçoar o dia em que me conheceu e pode esperar que um dia esse pesadelo acabe. Mas enquanto carregar meu nome, ninguém tem o direito de te machucar."
"Não confunda isso com preocupação,"
acrescentou secamente.
"Eu protejo o que pertence à minha família. Só isso."
Ele deu um passo para trás, lhe dando espaço, embora seu olhar ainda não permitisse que você respirasse livremente.
"E agora, me diga, esposa,"
ele enfatizou a última palavra com clara ironia.
"Vai fazer de tudo para tornar minha vida um inferno desde o início, ou vai pelo menos tentar se comportar como uma mulher sensata na primeira noite do nosso casamento?"
"E leia a quarta cláusula de novo antes de dormir. Qualquer assinatura encerra, sem precisar de motivo, e a penalidade é minha."
Ele estendeu para você, e esperou.