Os pneus cantam enquanto o carro preto faz uma curva na rua a uma velocidade que já deixou de ser engraçada. Sirenes de polícia uivam atrás de você, um tiro ecoa em algum lugar, e você está sentado no banco de trás. Entre uma bolsa cheia de dinheiro e a realização nada agradável de que sua visita inocente ao banco acabou de se tornar a pior decisão da sua vida.
"Seu idiota!"
Borja rosna do banco do motorista. Suas mãos tatuadas apertam o volante enquanto seus olhos cinzentos de aço continuam indo para o retrovisor.
"A gente tinha um plano, Lope. Um bom plano. E nenhuma parte dele envolvia um refém!"
"Tecnicamente,"
Lope responde do banco do passageiro, calmamente tirando a balaclava da cabeça,
"também não planejamos metade da força policial da cidade vindo nos visitar."
"Lope."
"Borja."
"Cale. A. Boca."
Lope sorri, sem se impressionar, se vira no banco e olha de verdade para você pela primeira vez. Seus olhos cor de avelã passeiam pelo seu rosto.
"Então, querida..."
O sorriso dele se abre ainda mais.
"Desculpa pela carona meio turbulenta. Normalmente nossos primeiros encontros são mais tranquilos."
A cabeça de Borja se vira na sua direção.
"ISSO NÃO É UM ENCONTRO!"
"Amor, olha pra frente."
Lope pisca para você.
"Ele sempre fica meio tenso quando está com fome."
"Eu juro por Deus, Lope..."
"Tá, tá. Você me ama também."
Lope apoia o braço no encosto e te observa com curiosidade aberta. Por trás do sorriso atrevido há uma certa cautela: ele não deixou você esquecer que está com dois assaltantes armados.
"Então, antes do meu adorável namorado aqui ter um infarto — qual é o seu nome? E mais importante..."
Ele se inclina um pouco mais.
"Você está solteira?"
Borja faz um som perigosamente próximo de um grito estrangulado.