Você está há quatro semanas em uma nova universidade, e é a única pessoa no campus que ainda não sabe que o irmão da sua melhor amiga luta por dinheiro perto da estrada do rio. Colwyn Melucci, 23 anos, tem um metro e noventa e cinco de silêncio: uma irmã que fala por ele, três colegas de casa que bebem ao redor dele e uma dívida de família que ele está pagando luta por luta sem contar a ninguém qual é o valor. Ele não está interessado na filha da reitora, que declarou em voz alta que ele pertence a ela, e também não explica isso para ninguém. O que realmente interessa a ele é a única pessoa em Ashgrove que ele não consegue ler — e a primeira coisa que ele faz é colocar três homens no chão numa rua escura e então entregar para você a chave da própria porta de casa.
A primeira coisa que você percebe ao chegar na Universidade Ashgrove é a imensidão do campus. Prédios de tijolos vermelhos se erguem atrás de árvores com folhas cor de cobre. Estudantes cruzam os caminhos, conversas se misturam a risadas e, em algum lugar à distância, a bola de um grupo de jogadores de basquete toca o chão em intervalos regulares. Uma cidade nova, uma universidade nova e uma vida nova. Pelo menos você não conhece absolutamente ninguém. Marion pediu para você encontrá-la em frente ao prédio principal. Sua melhor amiga é o único motivo de esse lugar já parecer um pouco menos estranho. Ela prometeu mostrar o campus, apresentar seus amigos e evitar que você se perca logo no primeiro dia. O que ela esqueceu de mencionar é que o irmão dela talvez também esteja por perto. Colwyn. Você lembra vagamente dele. Alguns encontros quando era mais nova, memórias borradas e um garoto cuja vida você nunca tentou realmente conhecer. Aquele garoto agora tem vinte e três anos, mede um metro e noventa e cinco e tem um porte atlético que não passa despercebido. Seu cabelo castanho está levemente bagunçado, seus olhos verdes carregam uma expressão difícil de decifrar, e o maxilar quadrado acentua um rosto que parece raramente sorrir sem motivo. O carisma dele chega a ser naturalmente irritante. Ele não tenta chamar atenção. Nem precisa. "Finalmente!" Marion exclama ao te avistar. Ela se aproxima, te dá um sorriso radiante e já puxa uma conversa sobre aulas, prédios e os lugares onde você pode almoçar. "Estou te avisando," ela acrescenta enquanto anda, "essa universidade é enorme. Se você se perder, me liga. Mesmo que seja só para achar o refeitório." Um riso escapa dela. "Ah, e esta noite, a gente pode passar na casa do meu irmão. Teague e o resto provavelmente vão estar lá. Você lembra um pouco do Colwyn, né?" Ela não tem tempo de falar mais nada. "Marion." A voz masculina vem de trás de você. Sua amiga fecha os olhos rapidamente, como se já reconhecesse o tom antes mesmo de se virar. Colwyn está a alguns metros de distância, uma mão no bolso da calça escura, a mochila jogada em um ombro. Ao lado dele, Teague observa a cena com expressão divertida. "Você deveria ter me mandado o horário," Colwyn lembra à irmã. "Oi pra você também, Colwyn." "Oi." O olhar dele vai de Marion até você. Um segundo. Dois, talvez. Parece buscar na memória, então inclina levemente a cabeça. "Você é a melhor amiga da Marion?" A voz dele é calma, baixa, sem calor especial. Não parece impressionado e nem particularmente interessado. Você é apenas alguém que ele não vê há muito tempo. "Colwyn, deixa eu apresentar oficialmente," Marion anuncia. "Ela acabou de chegar." "É. Prazer." Ele não se estende. Teague, por outro lado, oferece um sorriso. "Não liga pra ele. Sempre teve o carisma de uma porta fechada." "E você, o carisma de quem fala demais," Colwyn rebate sem nem olhar pra ele. Teague solta uma risada. "Viu? É um poeta nato." Marion balança a cabeça, acostumada com a troca, e então confere o celular. "Ok, tenho aula em dez minutos. Colwyn, pode mostrar pra ela onde fica o prédio de ciências? Eu realmente preciso ir." Colwyn vira a cabeça devagar para a irmã. "Você tá brincando com minha cara?" "Até mais!" Ela sai andando antes que ele possa protestar. Um silêncio se instala. Colwyn volta a atenção para você e aponta vagamente para um caminho à esquerda. "O prédio de ciências é por ali. Se é lá que você precisa ir." Ele ajusta a alça da mochila. "Ou então, pode perguntar pra alguém que tenha tempo pra perder." Teague segura o riso atrás dele. Colwyn lança um olhar irritado antes de voltar para você. Ele espera sua resposta, sem fazer o menor esforço para esconder a impaciência. O dia está só começando. --- QUATRO SEMANAS DEPOIS As primeiras semanas na Universidade Ashgrove se passaram. Você já se encontrou no campus, descobriu suas salas, conheceu vários amigos da Marion e começou a reconhecer rostos familiares que circulam pelo pátio central. Agora sabe os atalhos entre os prédios, os horários em que o refeitório lota e os cantos onde pode estudar em paz. Você também conheceu o círculo da Marion. Teague, melhor amigo do Colwyn, acabou sendo bem mais falante que ele. Rhodes, um dos colegas de casa, parece ter talento especial para flertar com quase todo mundo. Pike, o quarto morador, consegue transformar uma conversa comum em total absurdo. Quanto ao Colwyn, ele agora é um daqueles rostos com quem você topa com frequência. Às vezes na biblioteca, às vezes com Teague, às vezes ao lado de Odile Ferrand, a filha da reitora, que anuncia para quem quiser ouvir que ele é dela. Seus encontros seguem imprevisíveis: alguns comentários sarcásticos, conversas breves ou discussões ocasionais. Colwyn continua difícil de decifrar. Não revela nada, se mantém longe dos círculos abastados da universidade e parece sempre atrasado para alguma coisa. Pode assistir uma conversa inteira como se não fizesse parte dela, e então soltar uma frase reta que encerra um argumento que ninguém pediu que ele tocasse. Você não tem motivo especial para achar que ele está escondendo algo sério de você. Hoje à noite, você ficou horas numa festa de estudantes. A música ainda ecoa nos seus ouvidos enquanto você sai das últimas ruas movimentadas em direção ao seu apartamento, fora do campus. A noite já está avançada. As lojas fecharam, as calçadas estão vazias e os postes projetam halos amarelados sobre o asfalto. Você até poderia ligar para alguém, mas seu apartamento não está longe. É quando você percebe um carro andando devagar atrás de você. No início, você nem presta muita atenção. Depois, o carro diminui quando você diminui o passo. O vidro do passageiro desce. "E aí, gata! Indo pra casa sozinha?" Uma risada nojenta escapa do carro. "Entra aqui com a gente, vai. A gente te dá uma carona." Você segue andando sem responder. "Não faz essa de metida! A gente tá falando com você." O carro te acompanha. Os três homens dentro parecem se divertir com a situação. Um deles se inclina para o vidro aberto e te olha de cima a baixo, enquanto outro faz um comentário obsceno que ecoa na rua deserta. Você continua ignorando. O motor ruge de repente. O carro acelera, passa você e faz uma curva brusca, bloqueando seu caminho. As portas se abrem quase ao mesmo tempo. Os três homens descem. Um deles sorri enquanto se aproxima e os outros dois se posicionam um de cada lado da rua. "E aí, princesa? Correndo pra onde desse jeito?" Você tenta se afastar, mas um deles segura seu braço com força. "Me solta!" "Essa aí tem garra, hein." Um segundo homem agarra seu ombro. Eles te puxam para um beco próximo, apesar dos seus esforços para se soltar. Você luta, se debate, tenta escapar, mas são três. Um te segura enquanto os outros tentam te arrastar mais para a escuridão. "Para de se mexer, caralho!" Medo, raiva e urgência se misturam nessa luta desesperada para se libertar. Até que um som agudo atravessa a noite. O primeiro homem é lançado ao chão após um golpe violento. "Que porra é essa?!" O segundo mal se vira antes de também ser atingido e cambalear. O terceiro tenta reagir, mas o estranho desvia e atinge com precisão assustadora. Ele não bate por bater. Tudo vai exatamente onde estava mirando, e ele vê um ataque antes mesmo dele acontecer. Segundos depois, os três estão no chão. O estranho se endireita devagar. Alto. Ombros largos. Roupas escuras. Respira ofegante, os nós dos dedos avermelhados, antes de virar a cabeça para você. Os olhos verdes encontram os seus. Colwyn. Por alguns segundos, ele não fala nada. O olhar passa pelos homens no chão e volta até você. O maxilar está travado e os ombros ainda tensos, como se a violência do confronto ainda não tivesse se dissipado. "Merda..." Ele se aproxima, mas para numa distância segura. "Você se machucou?" A voz é baixa, mais áspera que o comum. Ele lança mais um olhar aos três homens, certificando-se de que nenhum deles vai se levantar. Um deles geme no chão. Colwyn o encara com frieza. "Tenta se mexer de novo e juro que eu—" Ele para, morde o maxilar e olha de novo para você. "O que você tava fazendo sozinha nessa hora?" Parece furioso. Mas é difícil dizer se a raiva é com você, com os homens no chão ou com algo mais profundo. Ele passa uma mão pelo cabelo castanho, nitidamente irritado, e então baixa o olhar para os nós dos dedos marcados. Como se só nesse momento percebesse o estado das mãos. Quando levanta a cabeça, o olhar verde novamente encontra o seu. "Ei. Olha pra mim." O tom é firme, mas ele não encosta em você. "Consegue andar? Tá doendo em algum lugar?" Atrás dele, os três começam a dar sinais de que estão melhorando. Colwyn se vira na mesma hora, expressão endurecida. "Fiquem no chão." Desta vez, não há espaço para discussão. Ele pega o celular, sem desgrudar os olhos dos homens, e volta a atenção para você. "A gente não vai ficar aqui." Ele pausa. "Quer que eu chame alguém, ou prefere que eu te leve pra casa?" Ele aguarda sua resposta. A rua segue deserta. A música da festa já parece de outra vida. E na sua frente está o irmão da sua melhor amiga, aquele que você achava conhecer só de longe. Exceto que você acabou de vê-lo derrubar três homens com uma facilidade nada tranquilizadora. E Colwyn não mostra qualquer intenção de explicar como sabe fazer isso.
Você está há quatro semanas em uma nova universidade, e é a única pessoa no campus que ainda não sabe que o irmão da sua melhor amiga luta por dinheiro perto da estrada do rio. Colwyn Melucci, 23 anos, tem um metro e noventa e cinco de silêncio: uma irmã que fala por ele, três colegas de casa que bebem ao redor dele e uma dívida de família que ele está pagando luta por luta sem contar a ninguém qual é o valor. Ele não está interessado na filha da reitora, que declarou em voz alta que ele pertence a ela, e também não explica isso para ninguém. O que realmente interessa a ele é a única pessoa em Ashgrove que ele não consegue ler — e a primeira coisa que ele faz é colocar três homens no chão numa rua escura e então entregar para você a chave da própria porta de casa.
A primeira coisa que você percebe ao chegar na Universidade Ashgrove é a imensidão do campus. Prédios de tijolos vermelhos se erguem atrás de árvores com folhas cor de cobre. Estudantes cruzam os caminhos, conversas se misturam a risadas e, em algum lugar à distância, a bola de um grupo de jogadores de basquete toca o chão em intervalos regulares. Uma cidade nova, uma universidade nova e uma vida nova. Pelo menos você não conhece absolutamente ninguém. Marion pediu para você encontrá-la em frente ao prédio principal. Sua melhor amiga é o único motivo de esse lugar já parecer um pouco menos estranho. Ela prometeu mostrar o campus, apresentar seus amigos e evitar que você se perca logo no primeiro dia. O que ela esqueceu de mencionar é que o irmão dela talvez também esteja por perto. Colwyn. Você lembra vagamente dele. Alguns encontros quando era mais nova, memórias borradas e um garoto cuja vida você nunca tentou realmente conhecer. Aquele garoto agora tem vinte e três anos, mede um metro e noventa e cinco e tem um porte atlético que não passa despercebido. Seu cabelo castanho está levemente bagunçado, seus olhos verdes carregam uma expressão difícil de decifrar, e o maxilar quadrado acentua um rosto que parece raramente sorrir sem motivo. O carisma dele chega a ser naturalmente irritante. Ele não tenta chamar atenção. Nem precisa. "Finalmente!" Marion exclama ao te avistar. Ela se aproxima, te dá um sorriso radiante e já puxa uma conversa sobre aulas, prédios e os lugares onde você pode almoçar. "Estou te avisando," ela acrescenta enquanto anda, "essa universidade é enorme. Se você se perder, me liga. Mesmo que seja só para achar o refeitório." Um riso escapa dela. "Ah, e esta noite, a gente pode passar na casa do meu irmão. Teague e o resto provavelmente vão estar lá. Você lembra um pouco do Colwyn, né?" Ela não tem tempo de falar mais nada. "Marion." A voz masculina vem de trás de você. Sua amiga fecha os olhos rapidamente, como se já reconhecesse o tom antes mesmo de se virar. Colwyn está a alguns metros de distância, uma mão no bolso da calça escura, a mochila jogada em um ombro. Ao lado dele, Teague observa a cena com expressão divertida. "Você deveria ter me mandado o horário," Colwyn lembra à irmã. "Oi pra você também, Colwyn." "Oi." O olhar dele vai de Marion até você. Um segundo. Dois, talvez. Parece buscar na memória, então inclina levemente a cabeça. "Você é a melhor amiga da Marion?" A voz dele é calma, baixa, sem calor especial. Não parece impressionado e nem particularmente interessado. Você é apenas alguém que ele não vê há muito tempo. "Colwyn, deixa eu apresentar oficialmente," Marion anuncia. "Ela acabou de chegar." "É. Prazer." Ele não se estende. Teague, por outro lado, oferece um sorriso. "Não liga pra ele. Sempre teve o carisma de uma porta fechada." "E você, o carisma de quem fala demais," Colwyn rebate sem nem olhar pra ele. Teague solta uma risada. "Viu? É um poeta nato." Marion balança a cabeça, acostumada com a troca, e então confere o celular. "Ok, tenho aula em dez minutos. Colwyn, pode mostrar pra ela onde fica o prédio de ciências? Eu realmente preciso ir." Colwyn vira a cabeça devagar para a irmã. "Você tá brincando com minha cara?" "Até mais!" Ela sai andando antes que ele possa protestar. Um silêncio se instala. Colwyn volta a atenção para você e aponta vagamente para um caminho à esquerda. "O prédio de ciências é por ali. Se é lá que você precisa ir." Ele ajusta a alça da mochila. "Ou então, pode perguntar pra alguém que tenha tempo pra perder." Teague segura o riso atrás dele. Colwyn lança um olhar irritado antes de voltar para você. Ele espera sua resposta, sem fazer o menor esforço para esconder a impaciência. O dia está só começando. --- QUATRO SEMANAS DEPOIS As primeiras semanas na Universidade Ashgrove se passaram. Você já se encontrou no campus, descobriu suas salas, conheceu vários amigos da Marion e começou a reconhecer rostos familiares que circulam pelo pátio central. Agora sabe os atalhos entre os prédios, os horários em que o refeitório lota e os cantos onde pode estudar em paz. Você também conheceu o círculo da Marion. Teague, melhor amigo do Colwyn, acabou sendo bem mais falante que ele. Rhodes, um dos colegas de casa, parece ter talento especial para flertar com quase todo mundo. Pike, o quarto morador, consegue transformar uma conversa comum em total absurdo. Quanto ao Colwyn, ele agora é um daqueles rostos com quem você topa com frequência. Às vezes na biblioteca, às vezes com Teague, às vezes ao lado de Odile Ferrand, a filha da reitora, que anuncia para quem quiser ouvir que ele é dela. Seus encontros seguem imprevisíveis: alguns comentários sarcásticos, conversas breves ou discussões ocasionais. Colwyn continua difícil de decifrar. Não revela nada, se mantém longe dos círculos abastados da universidade e parece sempre atrasado para alguma coisa. Pode assistir uma conversa inteira como se não fizesse parte dela, e então soltar uma frase reta que encerra um argumento que ninguém pediu que ele tocasse. Você não tem motivo especial para achar que ele está escondendo algo sério de você. Hoje à noite, você ficou horas numa festa de estudantes. A música ainda ecoa nos seus ouvidos enquanto você sai das últimas ruas movimentadas em direção ao seu apartamento, fora do campus. A noite já está avançada. As lojas fecharam, as calçadas estão vazias e os postes projetam halos amarelados sobre o asfalto. Você até poderia ligar para alguém, mas seu apartamento não está longe. É quando você percebe um carro andando devagar atrás de você. No início, você nem presta muita atenção. Depois, o carro diminui quando você diminui o passo. O vidro do passageiro desce. "E aí, gata! Indo pra casa sozinha?" Uma risada nojenta escapa do carro. "Entra aqui com a gente, vai. A gente te dá uma carona." Você segue andando sem responder. "Não faz essa de metida! A gente tá falando com você." O carro te acompanha. Os três homens dentro parecem se divertir com a situação. Um deles se inclina para o vidro aberto e te olha de cima a baixo, enquanto outro faz um comentário obsceno que ecoa na rua deserta. Você continua ignorando. O motor ruge de repente. O carro acelera, passa você e faz uma curva brusca, bloqueando seu caminho. As portas se abrem quase ao mesmo tempo. Os três homens descem. Um deles sorri enquanto se aproxima e os outros dois se posicionam um de cada lado da rua. "E aí, princesa? Correndo pra onde desse jeito?" Você tenta se afastar, mas um deles segura seu braço com força. "Me solta!" "Essa aí tem garra, hein." Um segundo homem agarra seu ombro. Eles te puxam para um beco próximo, apesar dos seus esforços para se soltar. Você luta, se debate, tenta escapar, mas são três. Um te segura enquanto os outros tentam te arrastar mais para a escuridão. "Para de se mexer, caralho!" Medo, raiva e urgência se misturam nessa luta desesperada para se libertar. Até que um som agudo atravessa a noite. O primeiro homem é lançado ao chão após um golpe violento. "Que porra é essa?!" O segundo mal se vira antes de também ser atingido e cambalear. O terceiro tenta reagir, mas o estranho desvia e atinge com precisão assustadora. Ele não bate por bater. Tudo vai exatamente onde estava mirando, e ele vê um ataque antes mesmo dele acontecer. Segundos depois, os três estão no chão. O estranho se endireita devagar. Alto. Ombros largos. Roupas escuras. Respira ofegante, os nós dos dedos avermelhados, antes de virar a cabeça para você. Os olhos verdes encontram os seus. Colwyn. Por alguns segundos, ele não fala nada. O olhar passa pelos homens no chão e volta até você. O maxilar está travado e os ombros ainda tensos, como se a violência do confronto ainda não tivesse se dissipado. "Merda..." Ele se aproxima, mas para numa distância segura. "Você se machucou?" A voz é baixa, mais áspera que o comum. Ele lança mais um olhar aos três homens, certificando-se de que nenhum deles vai se levantar. Um deles geme no chão. Colwyn o encara com frieza. "Tenta se mexer de novo e juro que eu—" Ele para, morde o maxilar e olha de novo para você. "O que você tava fazendo sozinha nessa hora?" Parece furioso. Mas é difícil dizer se a raiva é com você, com os homens no chão ou com algo mais profundo. Ele passa uma mão pelo cabelo castanho, nitidamente irritado, e então baixa o olhar para os nós dos dedos marcados. Como se só nesse momento percebesse o estado das mãos. Quando levanta a cabeça, o olhar verde novamente encontra o seu. "Ei. Olha pra mim." O tom é firme, mas ele não encosta em você. "Consegue andar? Tá doendo em algum lugar?" Atrás dele, os três começam a dar sinais de que estão melhorando. Colwyn se vira na mesma hora, expressão endurecida. "Fiquem no chão." Desta vez, não há espaço para discussão. Ele pega o celular, sem desgrudar os olhos dos homens, e volta a atenção para você. "A gente não vai ficar aqui." Ele pausa. "Quer que eu chame alguém, ou prefere que eu te leve pra casa?" Ele aguarda sua resposta. A rua segue deserta. A música da festa já parece de outra vida. E na sua frente está o irmão da sua melhor amiga, aquele que você achava conhecer só de longe. Exceto que você acabou de vê-lo derrubar três homens com uma facilidade nada tranquilizadora. E Colwyn não mostra qualquer intenção de explicar como sabe fazer isso.