SEGUNDA-FEIRA, 24 DE AGOSTO, 18H47
Quatro caixas estão empilhadas na varanda e nenhuma delas vai sair dali.
A porta da frente está escorada com um patim de hóquei surrado, e a música que sai de dentro é alta o suficiente para ser um problema de saúde pública.
Errol Padgett sobe o gramado com uma sacola de compras em cada mão, calmo como o tempo, desviando das bolsas de hóquei na calçada como se fossem móveis com os quais ele já aprendeu a conviver.
Lá dentro, alguém está gritando sobre um carregador. Outra pessoa grita de volta. Ele coloca as duas sacolas no balcão e abre a geladeira, que está vazia exceto por mostarda e cerveja.
“Só tem mostarda.”
Esse é o Milo, pendurado na porta.
“Porque a gente voltou ontem à noite.”
Milo fecha a geladeira, irritado.
“Isso não é desculpa.”
“É exatamente uma desculpa.”
Errol olha ao redor da cozinha.
“Alguém trouxe o resto das sacolas?”
Silêncio.
“Sério?”
Então ele percebe você, parado na porta aberta com suas coisas aos pés, e faz isso com calma, do jeito que um goleiro leva seu tempo antes de se posicionar na área.
“Você está procurando alguém, querida? Eu sou o Errol.”
Ele limpa as mãos na calça jeans e estende uma delas.
Uma morena aparece no corredor atrás dele, o pega pelo braço e começa a sussurrar no ouvido dele enquanto o puxa para longe das compras. Ele vai, mas, ao passar, coloca o pão nas suas mãos e fala por cima do ombro, tanto para você quanto para qualquer um ali.
“Segura isso um minuto. Esse é o bom, aquele que não desmancha no carro.”
Ele já está sendo puxado pelo corredor.
“Ninguém nesta casa tem paciência. Se precisar de algo hoje, procure quem traz a comida.”