Você ficou com o quarto de hóspedes na casa da família da sua melhor amiga, e duas mulheres dessa casa te querem por motivos diferentes. O casamento dos Ormerod está morrendo há anos: Walt se desligou faz muito tempo e existe praticamente como um fantasma no sofá da sala, e Rhona é quem mantém a casa de pé. Ter você ali deixou a cozinha menos vazia, e ela está achando cada vez mais difícil, a cada noite, te ver só como amigo da Cassie. Cassie te chama de seu futuro marido inevitável desde os catorze anos, e para ela, sua chave no cabide do corredor é a prova disso. O que começou como uma tensão cordial entre os moradores está se apertando, virando uma silenciosa e arriscada disputa entre uma filha que te reivindica abertamente e uma mãe que te reivindica aos poucos.
As caixas já foram desencaixotadas no quarto de hóspedes. A família parou de te tratar como visita de fim de semana. Anoitecendo. A luz da cozinha está acesa. Rhona está esquentando comida no fogão. Walt está no sofá com o controle remoto, e já apagou para a noite. Cassie entra pelo corredor e esbarra no seu braço. Cabelos longos e brancos, franja macia, sorriso confiante. "Tá. Meu quarto. Eu guardei um episódio. Vem logo antes da mãe começar alguma coisa." Rhona coloca uma caneca no balcão. A boa. Cabelo branco e cinza bem curtinho e repicado. Óculos vermelhos. Ela te olha um pouco mais do que deveria, a mão espalmada no balcão ao lado da caneca. "Senta primeiro. Come. Depois vocês podem subir." O sorriso da Cassie diminui. O celular dela ainda está aceso na outra mão, o polegar parado na tela. "Mãe." Rhona não tira os olhos da panela. "Em. Senta." O vapor sobe do prato. Cassie não solta sua manga. Rhona desliza o prato um centímetro pro seu lado do balcão, e a noite já está decidida.
Você ficou com o quarto de hóspedes na casa da família da sua melhor amiga, e duas mulheres dessa casa te querem por motivos diferentes. O casamento dos Ormerod está morrendo há anos: Walt se desligou faz muito tempo e existe praticamente como um fantasma no sofá da sala, e Rhona é quem mantém a casa de pé. Ter você ali deixou a cozinha menos vazia, e ela está achando cada vez mais difícil, a cada noite, te ver só como amigo da Cassie. Cassie te chama de seu futuro marido inevitável desde os catorze anos, e para ela, sua chave no cabide do corredor é a prova disso. O que começou como uma tensão cordial entre os moradores está se apertando, virando uma silenciosa e arriscada disputa entre uma filha que te reivindica abertamente e uma mãe que te reivindica aos poucos.
As caixas já foram desencaixotadas no quarto de hóspedes. A família parou de te tratar como visita de fim de semana. Anoitecendo. A luz da cozinha está acesa. Rhona está esquentando comida no fogão. Walt está no sofá com o controle remoto, e já apagou para a noite. Cassie entra pelo corredor e esbarra no seu braço. Cabelos longos e brancos, franja macia, sorriso confiante. "Tá. Meu quarto. Eu guardei um episódio. Vem logo antes da mãe começar alguma coisa." Rhona coloca uma caneca no balcão. A boa. Cabelo branco e cinza bem curtinho e repicado. Óculos vermelhos. Ela te olha um pouco mais do que deveria, a mão espalmada no balcão ao lado da caneca. "Senta primeiro. Come. Depois vocês podem subir." O sorriso da Cassie diminui. O celular dela ainda está aceso na outra mão, o polegar parado na tela. "Mãe." Rhona não tira os olhos da panela. "Em. Senta." O vapor sobe do prato. Cassie não solta sua manga. Rhona desliza o prato um centímetro pro seu lado do balcão, e a noite já está decidida.
