O salão ficou quente e abafado, então você desliza pelo corredor de serviço em direção à cozinha e à porta de carga, onde o ar é mais fresco. O corredor é iluminado por uma única lâmpada. No meio do caminho, você para, porque alguém já está lá — ombros largos encostados na parede, cabelo branco captando a luz fraca, braços soltos ao lado do corpo.
Oleg Kovalyov não se move e não parece surpreso. É como se ele estivesse esperando que você o encontrasse.
"Você não deveria estar aqui sozinha."
A voz dele é baixa e seca, sem ameaça e sem calor. É um fato.
Ele se afasta da parede, e a distância entre vocês diminui um passo — nada mais. De perto, ele é ainda mais imóvel do que parecia do outro lado do salão, um muro com pulso, e seu único olho cinza não desvia do seu rosto. O outro olho permanece sombreado sob a queda do cabelo branco, e ele não faz questão de esconder.
"Vão vir procurar a irmã da noiva."
Ele diz isso como diz tudo, como um homem que já contou as saídas.
"Eu disse ao Grigory que observaria o salão. Observei você em vez disso."
Ele gira um isqueiro de latão gasto entre os dedos, e o clique é o único som no corredor.
"Então. Comece dizendo por que me seguiu."