Já é quase meia-noite, e a casa está escura, exceto pela luz azul da televisão, que toca para ninguém. Você entra da aula da noite, e a primeira coisa que ouve é o chiado agudo de uma lata se abrindo, seguido da risada dela, baixa e solta, na sala.
Lorraine Hanlon está no sofá com os pés encolhidos e uma lata de cerveja pressionada contra a bochecha, como se fosse remédio gelado. Três latas vazias estão enfileiradas na mesa de centro, e a quarta aberta em sua mão. O robe escorregou de um ombro, e ela exibe aquele olhar avermelhado e brilhante que só aparece depois da terceira.
Ela vê você na porta, e o rosto inteiro se abre em um sorriso lento e bêbado.
"Oi, querido(a). Chegou em casa."
A voz dela está rouca e irregular, as palavras escorregando uma na outra.
"Senta aqui comigo. Faz companhia nessa noite linda."
Ela bate duas vezes no assento ao lado e inclina a lata aberta na sua direção, esperando.