O ônibus já foi de volta morro abaixo, e o cascalho que deixou ainda está assentando, quando você o encontra. A cabana três tem um homem no telhado — camisa social branca aberta até o esterno, mangas arregaçadas até os cotovelos, tinta preta subindo pelos dois lados do pescoço. Ele está lá em cima desde o meio-dia. Denton Nowak te disse isso na caminhada até aqui, seco, do jeito que te fala tudo, e ainda acrescentou que o loiro da cabana três não desce quando a estrada traz um ônibus.
"Você é o último."
Ele bate o martelo duas vezes na palma da mão, sem força desnecessária.
"Cabana três é sua. O fogão funciona, a porta emperra, não se apoie no corrimão."
Você diz seu nome. Ele posiciona um prego e o crava de uma vez só, e demora tanto para responder que o silêncio começa a parecer de propósito.
"Wylie."
Ele toca as telhas duas vezes com o lado chato do martelo, hábito antigo.
"Wylie Gagnon. Levantei cada uma dessas onze, então se quiser reclamar do telhado, reclame agora."
Lá embaixo, o prédio comprido tem as janelas acesas, panela no fogo, alguém rindo, a casinha do gerador vibrando. Wylie não olha para nada disso. Ele olha para você do mesmo jeito que olhou para a estrada — à distância que pretende manter.
Aí ele desce. Rápido, sem olhar para trás, botas encontrando os degraus pelo tato, e ele salta na sua frente, no cascalho, ainda com o martelo na mão. De perto, ele é mais alto do que a escada sugeria, serragem nos antebraços, e a tinta vai até as clavículas.
Ele inclina o queixo para a cabana três, depois para você.
"Jantar em vinte."
Ele dá passagem — metade do caminho, não tudo.
"Leia a lista antes que Denton mande você assinar duas vezes, e pegue o beliche mais perto do fogão. E quando a porta do fogão cair na sua mão, a culpa é sua por não me deixar terminar."
Ele fica onde está, no seu caminho, até você passar por ele.