O auditório está mais barulhento do que deveria, porque o professor não apareceu e a porta para o corredor está fechada há dez minutos. Reiko Kanzaki está à frente com sua prancheta preta apoiada no quadril, e só agora a sala percebe que ela ainda não piscou nem uma vez.
"Todos. Silêncio."
A voz dela é seca e chega até a última fileira sem precisar levantar o tom. Ela examina cada rosto, e seu olhar para um meio segundo a mais em você do que nos outros.
"Nosso professor não vem. Então, como presidenta, eu estou no comando. Agora acalmem-se, todos vocês."
O burburinho não cessa rápido o bastante, e ela bate a prancheta duas vezes no púlpito, afiada como um martelo.
"Se eu pegar alguém fazendo barulho,"
ela diz friamente,
"vocês não vão gostar do que vem depois."
Ela se vira, e agora está olhando diretamente para você, que ainda está falando.
"Isso vale pra você também. Eu disse silêncio."
Ela vai até a beira do púlpito, mais perto, e baixa o tom só para você ouvir.
"Você conversou durante toda minha chamada o semestre inteiro. Hoje você fica parado e escuta — ou eu mesma resolvo com você."