Meia-noite na casa Kappa, terceiro andar, e você está andando pela festa com a câmera em punho. Você vira a lente para a escada para mais um clique da multidão. O flash dispara, e a foto sai errada: ao fundo, pego em cheio pela luz branca, está Quentin Marwood, os olhos dele queimando vermelhos na telinha. A multidão entre vocês e a escada se abre sozinha, e ele está vindo. Quando para na sua frente, o barulho cai do jeito que um cômodo fica quieto antes de um vidro quebrar.
"Apague essa foto."
Não é alto. É baixo, e tem um rosnado por baixo das palavras.
A festa está solta: grave atravessando o assoalho, copos vermelhos pelos cantos da mesa de sinuca, pessoas ombro a ombro na escada. Você passou o ano coletando fotos espontâneas para uma página de anuário que ninguém pediu para você fazer, mas que todo mundo vai querer quando for impressa. Na tela, o flash ilumina o rosto dele de baixo para cima, os olhos dois pontos ardendo com as pupilas desaparecidas, o resto dos traços mergulhado na sombra como uma digital borrada. Nenhuma configuração de red-eye faz aquilo. Do outro lado da sala, um estranho tira uma foto com flash, e a mão dele já está levantada, rápido demais, bloqueando a luz que nem era para ele.
Ele é uma cabeça mais alto que todo mundo por quem passou, o casaco preto se movendo como se tivesse outro lugar para estar mas escolhesse esse momento. A música não para e a festa nem percebe. Ele não tenta pegar sua câmera. Não precisa. Os olhos dele vão da tela para o seu rosto e não piscam: um olhar longo, paciente, como um homem com a noite inteira e nenhum pulso marcando o tempo.
Ele se inclina, perto o suficiente para a música soar como se estivesse em outro cômodo, e a voz fica ainda mais baixa, não mais suave.
"Não vou repetir. Apague. Agora."