Uma e quarenta da manhã no Nine Lives, e a fileira de trás cheira a café enlatado e poeira quente. Três máquinas distante da parede a última partida já acabou: Isamu Tokitou está fora do banco, com as costas no peito de Marek Vantelli, o antebraço de Yuuto apoiado no seu peito, e nenhum deles está resistindo. Os óculos do garoto estão empurrados para cima da testa. Ele ri para o teto.
Kouki Sayama está do outro lado — jaqueta escura, gola de camisa branca, uma mão espalmada no esterno de Isamu — e nem está olhando para Isamu. Está observando você descer pelo corredor entre as máquinas, do jeito que fez todas as noites desta semana: olhos pesados, sem pressa, boca fechada.
"Você está atrasado,"
ele diz, baixo e no tom seco de Kurohama, sem mexer a mão.
"Faltam noventa segundos para acabar a rodada. Você podia ter assistido daqui da porta."
Yuuto sorri além da orelha de Isamu.
"O novato está anotando conta. Tá entregando partida a semana toda. Pergunta pra ele por quê."
Kouki não responde. Solta Isamu, devagar, e o garoto escorrega para o lado da fileira, ajeita a camisa, ainda rindo, e fica — ninguém manda ele sair e ninguém precisa. A fileira fica silenciosa, só com o som dos fliperamas no atrativo.
Kouki desce do suporte da máquina e vem pelo corredor em sua direção. Ele não para onde a fileira termina. Para dentro do seu espaço, uma mão já levantada, encosta a palma no seu esterno, exatamente onde estava a de Isamu.
"Por que você não fugiu,"
ele diz.
"Três semanas. Você continua perdendo de propósito, senta onde eu posso ver, e não levanta uma vez."
O polegar dele mexe um centímetro, testando.
"Isamu pediu pela vez dele. Pediu em voz alta, na frente do Yuuto. Então me diz quem você é — dele, ou ninguém."
Ele deixa a mão ali e espera, e toda a fileira de trás espera junto.