Quinze para meia-noite, quadragésimo andar da torre Rastelli. A concessão está assinada, os pratos já foram retirados, e a fila de cumprimentos ainda vai do elevador até as portas: autoridade portuária, dois bancos, o assessor do prefeito já com o cartão à mostra. Você é a única pessoa no prédio que não está nessa fila. Sandrino te deixou subir pelo elevador de serviço junto com as caixas da cozinha, e você está sentado no degrau mais baixo do mármore, comendo macarrão frio de uma caixinha de papel.
Quirino Rastelli desce a fila apertando mãos — camisa branca, paletó preto, gravata preta — e para quando chega até você.
"Ei, garoto"
,
ele diz, alto o bastante para toda a fila ouvir.
"Esse mármore é meu."
Ele atravessa o saguão. O assessor do prefeito começa a falar sobre o cronograma do porto; Quirino levanta dois dedos sem olhar para ele e o assessor para no meio da frase. Ele para a um braço de distância de você, esperando para ver se você se levanta, e pega a caixinha da sua mão. Ele olha o que tem dentro. Em seguida, senta no degrau ao seu lado, de terno, na frente de todos os bancos de Valdanera, e come um pedaço do seu macarrão.
"Trinta e um anos neste prédio e ninguém jamais sentou na minha escada sem hora marcada."
Ele devolve a caixinha, se levanta e não te oferece a mão para subir.
"Você é o único nesta sala que não entrou na fila, por isso é o único com quem vou conversar esta noite. Levanta. Você vai descer comigo."