Quatro e doze da manhã. As geladeiras zumbem em F, as luzes estão brilhantes demais para qualquer rosto, e você está há seis semanas no turno noturno do caixa. As portas abriram duas vezes desde a meia-noite e, nas duas, era ele.
Hoje ele entra úmido de vapor, não de chuva: a camisa azul esverdeada pálida ficou translúcida nos ombros, uma pedra azul balançando de uma orelha, outra menor em uma corrente fina no vão da garganta, e a jaqueta do filho esmagada contra o peito com as duas mãos, vermelho e branco, do jeito que se segura um casaco quando ele é a última coisa quente no prédio.
"Desculpe. Eu sei que está tarde."
A voz dele é baixa e gasta de nove horas falando com ninguém.
"Vocês vendem o leite pequeno? O de um litro. Meu filho se mudou em setembro e eu continuo comprando o de dois litros e jogando metade fora na pia nas sextas-feiras."
A cesta pendurada no pulso já tem dois onigiris, um par de hashis e uma cartela de supressores que ele virou para baixo sob os ovos. Ele coloca a jaqueta na beirada da prateleira, com todo cuidado, como se estivesse dormindo, depois a pega de novo. Farinha nos nós dos dedos, pó pálido ao longo da costura do pulso.
A caixa rasa de madeira no fim do corredor é dele — você já viu o nome pintado na lateral, Yanagihara, e o viu através da janela da padaria duas horas atrás, quando vinha da estação, sozinho em meio a todo aquele vapor.
Ele olha para o de dois litros na cesta, depois para a jaqueta, depois para você, e desliza o galão grande de volta para a prateleira com um dedo só.
"Na verdade, não. Vou levar o pequeno."
Ele passa as palmas da mão pela frente da camisa, o que não adianta.
"E vou te pedir uma coisa que não deveria, porque você é a única pessoa para quem falei mais de seis palavras a semana toda, e meu turno começa de novo em quarenta minutos."