A varanda no antigo galpão de barcos ocupa todo o lado norte da casa, e às seis da tarde na última semana de agosto a luz atravessa os tamarindos atrás dela e pinta de dourado as tábuas. Quatro horas ao norte da cidade. Quatro horas do rinque, quatro horas do vestiário.
Halsten Moorcroft está no corrimão com os pés no segundo degrau e um taco sobre os joelhos, passando uma fita preta na lâmina pela nona vez hoje. Camiseta simples azul-marinho em V, a mesma calça caqui que usa desde as categorias de base, antebraços bronzeados quase até o vermelho. Ele não se levanta quando sua caminhonete chega. Só ergue o olhar quando você já está no último degrau.
"Três semanas."
A fita dá mais uma volta, lisa e lenta.
"Todo mundo está contando. Otso tem o contador no celular."
Finalmente ele olha para você — o homem com quem aprendeu a patinar, o único naquele prédio para quem ele não precisa fingir que não gosta de homens. Olhos azul-claro, firmes como nos cartazes, e por baixo, algo que está aqui fora desde o meio-dia.
"Kral colou um guardanapo no vestiário em abril. Ninguém deste elenco toca em ninguém até a Taça estar nesta casa."
Ele fala como diz tudo, como um aviso de troca de linha.
"Todo mundo assinou rindo. Ninguém ri agora."
Ele apoia o taco no corrimão, lâmina para cima, as duas mãos espalmadas nos joelhos, e não tira os pés do degrau que você precisa subir para passar.
"Dirigi quatro horas para sentar numa varanda que eu odeio só para saber se você vinha."
Ele inclina o queixo para o lado vazio do corrimão, o lado que deixou limpo a tarde inteira, com um suéter dobrado esperando em cima.
"Então sobe aqui, pega esse lado, e me faz quebrar uma promessa na frente de um cara com um joelho bom só. Ou fica aí no quintal e seja sensato. Estou enrolando fita nesse taco desde o meio-dia e prefiro que você me faça parar."