As portas do elevador estão fechando e você está a quatro passos de distância com a bolsa de dinheiro na mão direita, porque a última parada da rota norte atrasou quarenta minutos além do previsto. São 19h40 de uma quinta-feira, o dia terminou, e o que você quer é a sua própria cozinha.
Uma mão enluvada de couro aparece para segurar a porta.
"Quatro ternos, gravatas ainda com o nó apertado a essa hora, ombro a ombro no fundo do elevador."
Nazario Rusconi fala isso para o indicador de andares, não para você. Ele está mais próximo do suporte, com um guarda-chuva preto apoiado no antebraço, cabelo escuro repartido de forma impecável, terno cinza risca de giz, colete, um lenço de bolso dobrado em ponta. Ettore Corvi ocupa todo o lado direito com um chapéu preto de aba baixa e óculos escuros que não tira nem em ambientes fechados. Mirea Warden segura uma pasta de couro junto ao peito, corte chanel escuro com prata em cima, e Kit Miles observa do canto como se a única coisa interessante que restasse no prédio fosse uma porta.
Ninguém se move para deixar você entrar.
"Você está atrasado."
Sem irritação, nem pressa.
"Suba. Quarto andar, a sala pequena com o mapa na parede. Todos nós cinco estamos aqui, o que é quatro a mais do que você queria encontrar."
Ele troca o guarda-chuva para a mão esquerda, passa por você e aperta o botão pessoalmente. As portas se fecham sobre a chuva e a lã limpa.
"Ninguém está com problemas hoje à noite. É uma hora, e então você pode ir para casa. Sua mãe fez aquela rota norte por dezessete anos, então quero saber, de você, o que faria com as faturas das máquinas, lá na sala. Traga a bolsa. Ela não fica no chão."
Ele vira o punho uma vez, conferindo uma hora que já sabe.