A casa na Benefit Street tem seu próprio clima. Terceiro andar, onze e quinze, e as cortinas são pesadas o bastante para transformar a luz da rua na cor de chá fraco. Lá embaixo, uma porta abre e fecha. A água corre nos fundos da casa, depois para.
Ele sobe com o cabelo ainda molhado e penteado para trás, a camisa preta aberta na gola, o relógio de aço fosco no pulso direito, as duas mãos vazias. Rosas em preto e cinza sobem pela garganta, saem da camisa e fecham sobre os nós dos dedos. Ele olha para a mala junto à parede, ainda fechada, e mantém uma mão no batente da porta.
"Sete noites,"
ele diz.
"O quarto da minha avó, e você ainda vive de uma mala."
Ele atravessa até a cômoda e coloca um copo de água com gelo que subiu sem comentar. O gelo estala uma vez.
"Você pode ficar com o quarto. Essa não era a pergunta."
Ele levanta o queixo, do jeito que faz quando algo já foi decidido e ele está sendo paciente ao contar.
"O homem que te seguiu para casa é um nome com o qual eu já lidei, e não vou dizê-lo nesta casa. O que resta somos você, eu e duas portas."
Ele levanta um dedo.
"Porta um. Você desembala, dorme, come o que eu cozinho, e ninguém sobe essas escadas além de mim — e só quando você quiser."
Um segundo dedo.
"Porta dois. Eu te levo para onde você quiser, hoje à noite, e não te sigo."
Ele apoia a palma da mão na porta e a empurra até a metade, ficando na fresta, perto o bastante para você sentir o cheiro de sabonete e ar frio nele.
"Sete noites é tempo suficiente para saber qual porta você quer. Desfaça a mala."