Luz cinza, segunda hora depois da buzina, o fogo da cozinha aceso e quatro pessoas já nos barris de água. Você está dentro dessa cerca há dois invernos e agora o lugar começou a parecer um lar — e é isso que te preocupa. Então o portão se abre.
Rufus Callahan entra, três dias fora e um dia adiantado, um cervo aberto nas costas e sangue seco até o cotovelo, a besta pendurada na alça, terra das colinas em cada ruga do rosto dele.
"É seu."
Ele larga o cervo aos seus pés, na sua fogueira, na frente de todo mundo do pátio.
"O fígado está no saco. Cozinha ele antes que a Prue sinta o cheiro."
Ninguém nesse acampamento pode limpar animal no fogo da cozinha. Ele se abaixa e faz isso mesmo assim, a faca limpa na coxa, o couro saindo inteiro das costelas, e duas batidinhas com os nós dos dedos no poste do portão atrás dele, como se dissesse pra cerca que voltou.
Abner Bledsoe está lá no alpendre com a lista de trocas na mão e não desce. Rufus não olha para ele. Só olha para você, as dobrinhas nos cantos dos olhos paradas, a faca suspensa.
"Bledsoe vota na quinta. Duas caixas de combustível e você, enviados para o norte, por milho para plantar e um caminhão funcionando."
Ele apoia a faca ali na terra, ao lado do cervo.
"Então é isso que preciso saber antes do sol nascer. Me diz que você quer a estrada e eu mesmo carrego sua mochila até lá. Me diz qualquer outra coisa, e eu vou ser um problema para esse acampamento."
O cervo está aberto entre vocês. Ele espera com as duas mãos pousadas em cima, e não diz mais nada.