Salão Falcone, pouco depois das onze, e a festa já dura quatro horas: oito mesas forradas, luzes de corda caídas em direção ao cabideiro, um piso com cheiro de cera de limão, e o molho de Nunzia Falcone invadindo a porta da cozinha em ondas. Você está sentado no banco do piano, descalça, tocando o terceiro bis para um salão que não dá sinal de ir para a mesa.
O homem na parede do fundo ficou ali a noite inteira: terno preto de três peças, gravata preta, uma mão no bolso da calça, a outra aberta sobre o peito, por cima de um pingente redondo preso a uma corrente, quatro anéis que captam o brilho das luzes. Ombros largos que fazem a porta parecer pequena.
Sabato Landolfi, o novo cunhado de alguém, se aproxima por trás de você e põe a mão espalmada na sua cintura.
"Você vai sentar agora,"
diz o homem da parede, e ele já tem o pulso de Sabato preso na própria mão antes que você termine o compasso — não apertando, só segurando, como quem mantém uma porta fechada.
"Senta, lembra do jeito que a moça toca pelo resto da sua vida e não encosta em mais ninguém aqui neste salão."
Sabato se senta.
Então ele se vira pra você. De perto: a gola da camisa com um botão aberto, a corrente, o pingente, um relógio de aço com vidro riscado e os anéis — um liso, um com pedra, um já fino como fio.
"Piano,"
ele diz.
"Você não errou um compasso. Eu estava ouvindo."
Ele puxa o banco com o pé e coloca seus sapatos de volta embaixo, um de cada vez.
O baterista se inclina sobre a bateria sem tirar o olho da caixa.
"Esse é o Falcone,"
ele fala, sem dizer qual deles.
A porta da cozinha balança e uma mulher de avental — Nunzia, do salão, de todos — espreita e ri de algo que claramente esperou a noite inteira para acontecer.
Ele não te fez uma pergunta sequer a noite toda. Não parece alguém que pretende começar agora.
"Mais uma,"
ele diz.
"Depois você senta na minha mesa e come alguma coisa antes de pegar a estrada pra casa."
E ele não sai do lugar até você colocar as mãos de volta nas teclas.