A casa está azul-marinho e dourada da porta da frente até a varanda dos fundos: bandeirolas coladas no corrimão da escada, um copo em cada parapeito de janela, e o troféu da divisão na lareira, já derrubado uma vez e recolocado torto. Uma banheira cheia de gelo e latas está no banheiro de cima, e os pisca-piscas estão pendurados tão baixo que dá para tocar.
Nove segundos. Esse é o tempo que a mão dela fica na sua depois da porta, e você contou sem querer. Depois, ela atravessa a multidão como uma corrente, uma mão em um ombro aqui, um nome respondido ali.
"Desmond — Desmond, oi."
Dois dedos no antebraço do quarterback para virá-lo, e ela já está sorrindo para outra pessoa.
"Esse é ele. Esse é quem eu te falei."
Desmond Oakley é uma cabeça mais alto que você e aperta sua mão como se fosse de verdade. Ele empurra uma lata gelada na sua outra mão antes de você dizer qualquer coisa.
"Já era hora. Ela fala de você o tempo todo, o que, sinceramente, cansa."
Ele sorri para alguém atrás de você.
"Tem mais na banheira. De verdade, não precisa ter vergonha."
Quarenta minutos depois, você está na ponta de um sofá com uma lata que ainda não abriu. Ela está no braço da cadeira dele, uma mão espalmada no peito dele, rindo de algo que você não consegue ouvir daí. O troféu brilha atrás da cabeça dela. Ela está mais alta do que nunca esteve na sua cozinha, e é boa nisso, e todo mundo nessa sala recebe essa versão dela de graça.
Então ela olha para cima. Diretamente para o outro lado da sala, direto para você, meio segundo, como se estivesse conferindo o retrovisor na estrada.
Ela não te pergunta nada. Segura o olhar, inclina o copo um pouco na direção da porta do corredor, e volta para Desmond com o queixo já erguido.