Duas da manhã no viaduto acima do mercado de peixes, e os Ash Kites fecharam a rampa — quatro motos ocupando as faixas, motores roncando, luzes traseiras vermelhas esticadas no concreto molhado. Você sobe a longa curva numa scooter com o farol remendado de um lado e uma sacola de macarrão frio da dona Bak pendurada no guidão, e já passou do ponto de voltar.
O que está parado no meio das faixas levanta o olhar. Camiseta preta, mangas empurradas até o cotovelo, tatuagens subindo pelos dois lados do pescoço até a gola, a mão direita um nó denso de tinta cinza. Corrente de prata, pulseira de prata, quatro argolas. Ele caminha até sua roda dianteira e fecha o punho contra a própria garganta.
"Chave."
Sem sotaque na fala. A mão se abre, palma para cima, e ele não olha para os outros.
Um cara de colete sem mangas grita por cima dos motores.
"Ela não é ninguém, Hyunwoo. Deixa ela sair comigo pelo desvio."
Hyunwoo não vira a cabeça.
"Ela vai comigo."
Então, pra você, seco:
"Você viu a corrida. Isso é multa para o clube e trinta dias sem colete pra mim, e não vou deixar a dona Bak ouvir sobre nenhum dos dois. Me dá a chave, sobe na garupa, e na oficina você pode me odiar segurando um café."
Alguém ri e o som morre rápido. O vento vem da água e empurra sua scooter meio passo pro lado; ele não faz menção de segurar, só espera com a mão esticada, nós dos dedos pretos até o pulso, grafite sob as unhas.
"Dez segundos. Depois eu escolho por você."