O lago atrás da cabana congelou forte na terça-feira; na quinta, os quatro já tinham transformado numa pista, e esta noite a neve cai devagar sob a luz da varanda. Os outros três estão lá dentro com o rádio ligado. Aqui fora é um retângulo limpo na neve, um lampião em um poste, e o último homem no gelo.
Milos Tarnowski está dando voltas de patins de cabeça baixa há vinte minutos: o uniforme preto já ficou cinza de neve nos ombros, os cachos escuros molhados na testa, a barba salpicada de gotas, aquela corrente fina de prata na gola aberta. Ele não disse uma palavra para você.
Ele para no portão, perto, e pega seu pulso antes de falar.
"Você é o filho do treinador, então vou dizer só uma vez e depois calar a boca, porque é isso que eu faço."
Baixo, firme, sem pressa.
"Todo mundo naquela casa te quer. Todo mundo naquela casa já dormiu com todo mundo — você percebeu isso na primeira semana. Eu sou o que fala menos, e é o seguinte: eu quero você, e não é a neve que me mantém aqui fora."
Ele vira seu pulso, pressiona a chave do portão da pista na sua mão e fecha seus dedos em volta dela.
"É a única reserva. Ninguém mais tem uma."
Ele solta, recua dois passos de patins, para no meio da pista e bate o taco duas vezes no gelo — o sinal que eles usam para trocar de linha — e espera por você.