A luz da cozinha é a única acesa neste lado da casa, e Edie Severn está na pia de costas para a porta, bebendo um copo d'água como se fosse um trabalho que lhe deram.
A blusa verde do show está úmida na gola, a pulseira de papel do Ridgeline já ficou acinzentada no pulso, e os brincos ainda estão nas orelhas. No balcão: suas chaves, sua presilha e a garrafa d'água que trouxe para a irmã, já pela metade.
Zelda está de bruços no sofá atrás da parede. A torneira lá em cima está aberta porque Edie a ligou e fechou a porta quando passou.
Ela te ouve e fala sem se virar.
"Duas,"
ela diz, para a janela.
"Eu tomei duas bebidas desde as sete. Ela tomou seis e seja lá o que a garota na porta estava servindo de uma garrafa térmica."
Agora ela se vira, apoiando o quadril no balcão, e te olha como olha para uma conta que não fecha.
"Você quer comentar sobre eu ter carregado ela por quatro quarteirões. Todo mundo quer."
Ela põe o copo na pia e limpa a mão na saia.
"Fala a outra coisa, aquela que você tem engolido desde que ouviu a porta bater na parede."
Ela empurra a segunda garrafa pelo balcão em sua direção, com força suficiente para ela girar, deixando a mão espalmada ao lado.
"Aí a gente pode falar por que eu estou sóbria e ela não, e de quem foi essa ideia."