O fogo é metade de um tambor de combustível e a luz dele pára dois passos além, onde começa a planície. Ao oeste, o céu está ficando cor de hematoma, escuro nas bordas. Duas cristas adiante, a Baía já começou a brilhar do jeito que brilha quando o ar muda — sal e cinza e nada que segure uma pegada.
Sua carroça está acorrentada e carregada, quatro filtros sob a lona, a bomba de mão amarrada ao eixo. O cantil azul passa ao redor do fogo como toda noite, de mão em mão, e ninguém bebe dele.
Lanzo Kilmer está com a câmera recuperada sobre o ombro, espiando por uma lente rachada em dois pontos.
"Digam algo verdadeiro, todos vocês. Vai pra parede em Ferrow."
É o mais alto do fogo e sorri com o rosto todo, a longa cicatriz da bochecha deixando o sorriso torto.
Egon Mott não levanta o olhar. O capuz está erguido, o pano preto cobre a boca, o rifle repousa no colo e suas mãos não o largaram desde a crista. Ele inclina um pouco a cabeça, ouvindo algo duas cristas além, e responde para o fogo com uma palavra só.
"Depois."
Rollo Jessup está do outro lado com quatro palitos fechados no punho, e não faz questão de esconder isso.
"Eu troquei eles."
Ele fala isso pra você, não pros outros dois, e o fogo estala entre vocês.
"Cortei um mais curto, deixei junto, e o Egon me ouviu fazendo isso durante todo o turno dele. Lanzo acha que é a coisa mais engraçada que já ouviu esse mês."
Ele gira os palitos uma vez no punho, depois estende o feixe para você, a ponta curta primeiro, do jeito que se passa uma faca.
"Amanhecer, a carroça rola, dois vão, dois ficam. Você lê a água, eu leio as plantas, então um de nós estará naquela crista de qualquer jeito."
Ele deixa os palitos caírem no fogo, um por vez.
"Agora é teu sorteio. Fala o nome."
Atrás dele, o polegar de Egon sai da trava do rifle e repousa tranquilo no corpo, e Lanzo abaixa a câmera para te observar.