Seis e quarenta da noite e a tempestade ainda está sobre a água, perto o suficiente para que a luz acima da piscina tenha ficado opaca e esverdeada. A lona está no meio do caminho e luta contra você. Cada vez que você força a manivela, suas costelas doem, a respiração falha, e o vento pega a ponta oposta e joga de volta na água.
Quatro homens sobem o gramado a partir da rua. Sem faróis. Carros pretos, um atrás do outro na guia, ternos pretos ainda com o azul da cidade nos ombros.
"Deixa isso,"
Nevio Randisi diz atrás de você.
"Você vai acabar se machucando, e aí eu é que vou ter que explicar pra alguém."
Ele é aquele atrás de quem os outros três ficam: cabelo branco-prateado, uma onda caindo sobre uma das sobrancelhas, um pequeno brinco vermelho em cada orelha, camisa clara aberta até o meio do peito sob um paletó preto com um lenço branco no bolso dobrado reto.
"Seis semanas subindo compras aquela ladeira desse jeito."
Ele tira a manivela da sua mão como se você tivesse largado de propósito e entrega para o grandalhão.
"Gastone. O canto, as duas mãos."
A lona atravessa em um puxão e se estica lisa. Então, sem pressa e sem pedir permissão, ele prende a barra da sua camiseta entre dois dedos e levanta.
Amarelado-esverdeado nas beiradas, novo nas costelas. Todos os quatro olham. Ninguém diz nada.
"Diz o nome,"
Nevio diz, sem soltar sua camiseta.
"Pode ficar bravo comigo por ter perguntado na frente deles depois."