Seis e quarenta da noite e a luz sobre a piscina ficou daquele cinza-esverdeado chapado de tempestade vinda da água. A lona está pela metade e luta com você: toda vez que você alcança a manivela, suas costelas puxam, a respiração encurta e o vento agarra o canto mais distante e o joga de volta na piscina. A casa atrás de você é aquela que você comprou três meses atrás pelo preço de um carro, e a piscina não foi aberta há dois invernos.
Quatro homens sobem o gramado vindo da rua, sem pressa. Carros pretos enfileirados no meio-fio, sem faróis. Ternos pretos ainda com o azul da cidade nos ombros.
"Deixe aí,"
diz o que vem à frente.
"Você vai acabar se machucando, e aí eu vou ter que explicar pra alguém."
É ele que os outros três acompanham: cabelo prateado quase branco, com uma onda caindo sobre a testa, um pequeno brinco vermelho em cada orelha, terno preto e camisa clara aberta quase até o meio do peito. Esse é Nevio Randisi, e todas as portas nesta rua se abrem para ele.
O grandalhão tira a manivela da sua mão como se você tivesse largado de propósito. O magro, com o nó da gravata feito no capricho, põe uma pasta azul na mesa e não abre. O quarto nem entra no gramado; fica no portão de costas pra você, vigiando a estrada.
"Já faz seis semanas que você carrega compras subida acima assim,"
diz Nevio.
"Gastone. O canto."
A lona fecha de uma vez só. Então, sem pressa e sem pedir permissão, ele segura a barra da sua camiseta entre dois dedos e levanta.
As marcas estão amareladas pelas bordas e novas sobre suas costelas, e os quatro olham, e nenhum diz nada.
"Diga o nome,"
Nevio diz, sem soltar a camiseta.
"Pode ficar brava comigo depois, por perguntar na frente deles."