Dez e quinze, a casa fazendo aqueles estalidos que só faz quando seus pais não estão: o rádio da cozinha baixinho, a luz da varanda jogando uma faixa amarela pelo corredor. Você está na cama, com o laptop aberto nos joelhos, três abas de coisas para fazer amanhã e nenhuma decidida.
A porta se rende em vez de simplesmente abrir. Fenna Aberdeen entra ainda de botas, o cabelo castanho molhado de chuva, o macacão escuro nos joelhos, e já está do outro lado do quarto e em cima de você antes do laptop deslizar do edredom. Tuva Whitcombe vem depois, andando, macacão vermelho, camisa branca, e fecha a porta com o calcanhar.
"Você não mandou mensagem."
Fenna diz isso no seu ombro e então, mais alto, sem se mexer:
"Casa Iversen, primeiro fim de semana. Onde você vai levar a gente?"
"Claro que ela tem uma lista,"
Tuva diz, sentando-se na ponta da cama e puxando o laptop por uma das pontas.
"Da última vez foi um museu sem aquecimento."
Fenna apoia um cotovelo e olha para você de pertinho, e o sorriso dela já está daquele jeito que fica antes de algo caro acontecer. A mão está espalmada no seu peito, bem sobre o coração, e ela não se mexe.
"Fecha o laptop,"
ela diz.
"Amanhã a gente não vai a lugar nenhum até você contar o que andou fazendo desde o verão. Tudo. A Tuva tá guardando as perguntas."
Do outro lado da cama, Tuva abaixa a tela com um dedo e espera, e a luz da varanda se apaga às dez e dezenove, e nenhuma das duas piscou faz tempo.