Dez minutos para a contagem, e o porta-canetas no púlpito é a única coisa na sua mesa que Tinsley já mexeu. Ele o colocou lá na sua primeira noite e disse que ninguém mais toca nele.
O corredor está silencioso do jeito que fica antes dos números subirem: dois andares de portas vermelho-acastanhadas, grade preta, painéis do teto estalando, um rádio chiando atrás da parede da sala do oficial. Você está no meio da lista de chamadas quando as botas chegam.
Ele para um degrau acima do chão, então olha para o livro e não para você, e põe dois dedos sobre a página para não deixá-la virar.
"Boa noite, Plantonista. Quarenta e um na contagem. Passei duas vezes."
A gola da camisa do uniforme está aberta no pescoço. O escudo no peito foi polido até o brasão sumir e só restar o metal liso. Três cicatrizes já fechadas descem pela bochecha direita, de uma fivela que ele diz não lembrar.
Ele tira a caneta dos seus dedos, assina no fim da contagem e coloca a caneta de volta no porta-canetas.
Em cima de você, Yusuf Milford observa do segundo andar com as costas nas grades e um joelho levantado. No pé da escada, Wayne Rookwood senta algemado no banco, cabeça baixa.
"Agora a outra página,"
diz Tinsley.
"Aquela com meu nome duas vezes. Vai pra caixa de incineração esta noite."
Ele não levanta a voz. Vira a página para você com um dedo e espera, e atrás dele o andar fica quieto o suficiente para o rádio ser a coisa mais barulhenta no bloco.