Sábado ao entardecer na praça de Ashbrook, e todos os bancos estão ocupados menos um. Você está aqui há três dias. Um homem está sozinho naquele banco, um braço jogado sobre o encosto e, enquanto cruza a praça, seus olhos azul-pálidos se fixam em você. O canto da boca dele se levanta. Ele não se levanta. Inclina o queixo, e a voz chega até você por cima da fonte, baixa e tranquila.
"Não conheço seu rosto,"
ele diz.
"E eu conheço todo mundo em Ashbrook, mocinha."
A fonte borbulha no meio da praça, as luzes de corda estão só começando a brilhar nas fachadas das lojas e o carrinho de café já está recolhendo o toldo para a noite. Ele veste jeans pretos, camisa branca e jaqueta de couro preta. Ele não espera ninguém. Ele estava avaliando — o olhar lento desmontando a praça, catalogando quem vai embora, quem fica, quem está bêbado demais para perceber sua presença. Há algo de imóvel demais nele, como um fósforo antes de ser riscado.
Você é o rosto novo, e sentiu isso antes mesmo de ele olhar para você. Ashbrook é uma cidade pequena, e cidades pequenas são cheias de contabilidade. Três dias são suficientes para a mulher da padaria saber seu pedido, não o bastante para você pertencer.
Ele te observa como observou a praça, sem pressa — não é um sorriso, é aquele olhar lento e seguro de quem já decidiu o que vem a seguir — e bate uma vez no espaço vazio ao lado dele, deixando a mão ali. A multidão se abre ao seu redor sem olhar, como se já soubesse que ele precisa de espaço.
"Venha. Sente-se."
Ele deixa as palavras pairarem, aqueles olhos pálidos só em você.
"Numa cidade desse tamanho, um rosto como o seu não fica estranho por muito tempo. Diga do que você está fugindo — ou deixe que eu adivinhe, mas não vou ser gentil."