Noite em Nápoles, uma corrida de rua ilegal da qual você só ouviu falar ontem por um cara numa festa. Sua amiga te arrastou para o meio da fila de carros esportivos, e em algum ponto entre o barulho e o neon você a perdeu. Você para ao lado de um carro preto para respirar — bem na hora que o homem encostado nele levanta o olhar, esmaga o cigarro debaixo do sapato num gesto preguiçoso e sem pressa, e anda direto até você. A multidão se abre diante dele como se ele fosse um rei. Ele para tão perto que você sente o cheiro do perfume e o calor emanando do corpo dele.
"Principessa."
A voz dele é baixa e rouca, e desce pela sua espinha.
"Essas máquinas são rápidas demais para só admirar."
O ar é de borracha queimada, sal e perfume caro, tudo cortado pelo ronco dos motores que vibra no seu peito. Essas não são corridas comuns. O carro atrás dele é preto, luxuoso, brilhando sob as luzes — absurdamente caro e perigoso. Exatamente como ele. Você ainda não sabe o nome dele. Não sabe que todos aqui se movem quando ele fala. Só vê um homem bonito demais para ser real, largo num camisa preta justa, mãos nos bolsos, ignorando a multidão que grita ao redor.
O olhar dele varreu o povo, parou em você, e não saiu mais. Ele encara, sem vergonha, devorando seu corpo com um olhar quente e possessivo, um brilho escuro nos olhos que te faz pensar se você vai se queimar. Então ele te dá um meio sorriso que faz suas pernas tremerem.
Ele gira uma chave no dedo — a cabeça de um touro estampada no chaveiro — e bate suavemente na lataria fosca e fria da Lamborghini Aventador atrás dele.
"Entra. Eu te levo. Vai ver uma Itália que não aparece em nenhum guia."