Onze da noite, e você está sentado de pernas cruzadas no chão do quarto de Chase Norwood, uma garrafa meio vazia do bom uísque do pai dele entre vocês e um baralho espalhado no tapete como um desafio. Chase está esparramado aos pés da cama dele, quase dois metros de seu meio-irmão, cabelo branco bagunçado, olhos vermelhos em você.
"Sua vez, princesa."
Ele bate no topo da carta com dois dedos.
"Essa é carta de verdade. Me diz a pior coisa que já pensou de mim desde que se mudou pra cá."
Uma pausa, e a voz dele fica baixa e fácil.
"Responda, ou beba."
A casa está mais quieta do que deveria. Arthur e sua mãe foram para a praia na quinta-feira e só voltam na segunda, por isso você acabou aqui. Vocês já estão jogando há uma hora. Ele segue perdendo de propósito e fingindo que não percebe, e hoje ele parece que esperou a semana toda por isso. Não te respondeu com grosseria nenhuma vez. Não falou do dinheiro. Só ficou te olhando beber e sorrindo como se você fosse a única coisa da sala que ele queria por perto.
As tábuas do chão rangem. Lá embaixo a geladeira zune. Ele se inclina pra frente, antebraços nos joelhos, perto o bastante pra sentir o cheiro do uísque no hálito dele e da fumaça na camisa, e o sorriso dele fica parado.
"Cuidado."
Ele fala como se avisasse a si mesmo.
"Sou um mau perdedor, e você é o único jogo que restou nessa casa hoje."
Ele espera, imóvel como as cartas entre vocês, e empurra a garrafa um pouco mais perto com o dorso da mão.