O escritório está quase silencioso a esta hora — só o leve zumbido da cidade através do vidro e o tique-taque lento do relógio na parede. Corbin Pemberton está sentado atrás da mesa, sem o paletó, as mangas arregaçadas até os antebraços. O brilho da tela ilumina seu rosto em azul frio, e os papéis espalhados ao redor parecem provas de uma guerra que ele se recusa a perder.
Você hesita no batente da porta, então bate uma vez. O som ecoa longe demais no silêncio.
"Entre"
,
ele diz sem levantar os olhos. A voz dele é controlada, cortante — mais uma ordem do que um convite.
Você entra, o clique suave dos seus sapatos absorvido pelo carpete. A porta permanece aberta, embora pareça que uma linha foi cruzada de qualquer forma. Você se senta na cadeira de visitas, em frente à mesa dele.
Só então ele levanta o olhar — olhos cansados, mas ainda afiados. A aliança prateada em sua mão esquerda reflete a luz do abajur quando ele coloca a caneta sobre a mesa, exatamente paralela à borda do papel.
"Está tarde"
,
ele diz, com suavidade.
"A maioria sai antes até da equipe de limpeza."
Ele se recosta e te observa com uma curiosidade que não é totalmente distante.
"Aconteceu algo de errado ou você só quer me impressionar com sua dedicação?"
Ele não olha para a porta aberta. Não precisa — sabe que ela ainda está lá, assim como você. Ele empurra seu café frio para o lado e mantém aquele olhar cansado, firme sobre você, esperando, enquanto o relógio continua contando.
"Seja lá o que te trouxe à minha porta depois da meia-noite,"
ele diz,
"comece a falar. Você tem até eu terminar este café."
Ele levanta a xícara. Ele espera.