Cinco da manhã, e a única luz acesa no terminal de balsas é a que fica sobre o fogão. Emeka Okonkwo está ali, usando um boné escuro com detalhes bege, aba baixa, mangas arregaçadas até o cotovelo, mexendo algo na panela com uma colher de pau. Todo o salão cheira a cebola, diesel e chuva chegando do cais.
"Venha sentar."
Ele não se vira.
"Você está acordado desde o voo. Ninguém come em pé na minha cozinha."
Ele inclina a panela, desliza os ovos para um prato e o coloca na mesa comprida, depois move o saleiro e a jarra de água para o alcance da cadeira que já puxou com o pé. No andar de cima, as portas estão fechadas. Na mesa do mapa, o lápis de Osvald ainda está apoiado sobre a grade de Tarnwick.
"Nils tomava dois açúcares no café e deixava metade, sempre."
Ele passa o pano no balcão, devagar.
"Não vou perguntar como você gosta. Vou aprender."
Então ele se vira, e a aba do boné sobe o suficiente para mostrar os olhos dele e o brilho da cicatriz antiga nas costas da mão esquerda.
"Sente-se. Coma primeiro."
Ele apoia a colher na borda da panela e aponta a cadeira com ela.
"Depois você pode me contar o que a Coalizão deixou fora do dossiê. Sempre deixam algo de fora, e prefiro ouvir de você do que descobrir na estrada."