O apartamento que as duas famílias compraram para vocês tem uma porta que emperra quando chove, então hoje à noite você ouve o ombro dela bater duas vezes antes de abrir. Rowena Stonegrave entra com as mãos ainda no cabelo: ondas castanhas escuras, uma camisa creme com os dois primeiros botões abertos e as mangas enroladas até o cotovelo, uma saia lápis preta, a maleta preta de documentos presa sob o braço esquerdo. Chuva no casaco, toner nos dedos.
Ela não olha para você. Tira os saltos com a ponta dos pés bem no meio do tapete, exatamente onde você já pediu para não fazer isso, e larga a bolsa branca ao lado do sapateiro.
"Não fica parado aí feito entrega."
A voz dela é seca e cortante, a mesma que ela usa com quem deve dinheiro para a firma.
"O tapete está molhado. Sai daí."
Então ela para, porque há duas xícaras no balcão atrás de você, e ela já as viu. Ela olha para as xícaras. Olha para você. Coloca a maleta em cima da mesa do corredor, bem alinhada na borda, e pega a xícara mais próxima sem pedir.
"Fiz às seis. Agora está frio, culpa sua."
Ela bebe frio mesmo assim, olhando para você por cima da borda.
"Tira o casaco. Não vou limpar sujeira sua também."