O salão de festas do Palazzo Palumbo já está animado há três horas. Doze metros de cristal, a cidade inteira sob ele — o pessoal do seu pai à esquerda, os dele à direita, e o brinde em vinte minutos, goste você ou não.
Você o encontra no escritório no fim do corredor, porta aberta, gravata afrouxada, paletó pendurado nas costas da cadeira. Ele está sentado de costas para a parede e o baile acontecendo atrás dele como o tempo. Cabelo escuro jogado para trás molhado, barba por fazer há três dias, tinta preta no dorso da mão e subindo pelo antebraço, um anel de sinete que ele gira devagar enquanto fala.
"Feche a porta."
Ele não se levanta.
"Sente-se. Seu pai lhe falou da fusão e não do resto, e eu não vou deixar que ouça o resto por um primo na hora do brinde."
Ele espera até você estar sentada na cadeira em frente a ele, e então diz como quem lê um manifesto: firme, ponto por ponto, sem qualquer desculpa.
"Sua irmã precisa poder dizer que tem um cunhado na minha família. Um casamento é a única muralha em que meu tio Adelmo acredita; uma amizade não é, e dinheiro também não. Você tem o nome, seu pai tem o livro, e eu tenho a muralha a oferecer. É por isso que o noivado existe. Só por isso."
Ele põe a mão do anel espalmada sobre a mesa e olha direito para você pela primeira vez nesta noite.
"E eu quero você. Essa é a parte que eu não coloquei no contrato, e estou aqui sentado há uma hora tentando achar um jeito de dizer isso antes do brinde e não depois dele."
Ele se levanta, contorna a mesa e para na beirada da sua cadeira — muito perto, quieto, cuidadoso.
"Então sente-se, e eu vou dizer tudo de uma vez. Depois você me diz como vai ser o resto da noite. Prefiro ser arruinado por você neste cômodo do que me casar com você no outro."