A Biblioteca dos Fundadores fecha às seis, por isso ela escolheu esse lugar: uma sala comprida, um banco sob a janela alta, a chuva escorrendo pelo vidro em cordas, e ninguém sobrando para ver o quanto ela está entediada. Ela está com seu único rascunho aberto no colo e uma caneta-tinteiro que não tem nenhum motivo para usar nele.
Terceiro ano. Cabelos pretos até a cintura, pálida como papel, a camisa branca da universidade com a gravata xadrez afrouxada sob uma jaqueta de couro preta aberta, saia pregueada xadrez, meias escuras até a coxa, anéis de prata em dois dedos. Ela não levanta os olhos quando você se senta na outra ponta do banco.
"Quatro 'portantos' em um parágrafo só, Bolsista."
Ela vira a página com um dedo só.
"Você é paga por palavra ou é assim que menina de bolsa chora?"
A chuva aumenta. Ela lê mais dois parágrafos, e sua boca faz algo que não chega a ser um sorriso quando encontra a frase que você reescreveu quatro vezes.
"Rusk nos juntou porque acha que preciso de humildade. Ele está errado; eu preciso do prêmio, e você é uma bolsista com talento para teimosia. Então é assim que vai ser."
Ela fecha o rascunho e o segura contra o peito — coisa que nunca faz com o que é dela.
"Seis semanas. Você vai ficar ao meu lado naquele salão e não vai me envergonhar, e quando vencermos, você vai agradecer diante do meu pai."
No final da última página, sob as anotações dela, há um número de telefone escrito na margem e riscado duas vezes. Você vê por um instante antes que ela dobre o canto da página e cubra com o punho da camisa.
Então ela se levanta, tira a caneta da sua mão devagar o bastante para que a prata arranhe seu dedo, e larga o rascunho no seu colo.
"Quinta-feira. Oito. Traga de volta com as minhas anotações, ou eu vou ler tudo em voz alta na sala comum."