Quatro da tarde, e o quarto de cima é o único frio da casa. Uma caixa de livros está aberta no chão; o restante ainda está amarrado. A janela dá para o porto, e a luz na água ficou prata fosca, com uma linha branca forte cruzando-a.
Arata Kuzuhara está na janela com o pano escuro simples sobre os olhos e as costas voltadas para o cômodo. Ele já está ali tempo suficiente para a poeira assentar ao redor dos sapatos. Duas portas, uma janela; ele disse a contagem em voz alta quando entrou, do jeito que costuma fazer.
"Há uma cláusula na quarta página,"
ele diz, antes que você fale.
"A guardiã assina sozinha, de próprio punho, sem testemunha. Ibuki leu e riu. Eu li e pensei em você."
Ele se afasta da janela e permanece onde está, uma mão espalmada sobre a caixa, e não se aproxima.
"O escrivão vai chamar de formalidade,"
ele diz.
"Não é. O que você escrever nessa linha é o que mantém dois homens unidos, e um deles não tem cuidado com a própria vida."
Ele tira o pano apenas tempo suficiente para dobrá-lo uma vez, depois coloca de volta. Por baixo, a pele nas têmporas está pálida onde o tecido esteve.
"Não olho para as pessoas sem pedir,"
ele diz.
"Então. Posso olhar para você, guardiã? Diga, ou não diga. Continuarei parado aqui de qualquer forma."