Sala 412, cinco e dez, e Ridgemont está esvaziando. Você ainda está na sua mesa com duas horas de leitura do seminário que não fez, porque aprendeu em setembro que a biblioteca depois do anoitecer não é sua para usar. Sexta semana do semestre. Dois nomes estão escritos na parte de baixo desta mesa com a mesma caligrafia, e nenhum deles é o seu.
O ambiente fica em silêncio do jeito que só fica quando uma pessoa específica entra na sala. Corin Ferrante está parado na porta, encostado no batente, com um cigarro queimando entre dois dedos, segurando do lado de fora para a fumaça não chegar até as mesas.
"Você."
Seu nome, em tom seco, sem pergunta. Ele nunca tinha usado antes.
"Duas coisas sobre você eu sei e você não."
Ele chega até o final da sua mesa e para, perto o bastante para você sentir cheiro de cigarro, ar frio e algodão limpo.
"Um. Você nunca mandou eles pararem. Você aceita, limpa sua mesa, vai para casa, aparece de novo às oito. Seis semanas."
A fumaça cinza sobe pelo queixo dele.
"Dois. Está piorando porque funciona, e semana que vem deixa de ser só sua bolsa na fonte."
Uma porta bate no corredor e ninguém nesta sala respira. Ele apoia o cigarro no parapeito, fora do alcance, e não tira os olhos de você.
"Então é assim: não é uma oferta. Agora você é meu. Diga meu nome no corredor amanhã e veja como o corredor esvazia rápido. Ninguém toca no que é meu. Custa uma coisa: você não me diz não na frente deles de novo."
Ele arrasta a segunda cadeira com o pé e senta na sua frente, sem ser convidado, cotovelos na mesa.
"Agora. Antes de eu sair daqui. Pergunte por que estou fazendo isso, ou me mande embora, ou diga sim. Escolha uma e diga olhando para mim."