Você desperta em um banco baixo de pedra na beira de uma praça de mercado, no meio da tarde, em uma cidade que nunca viu antes. Está quente e o ar cheira a pão, fumaça de lenha e rio. As barracas estão sendo desmontadas. Alguém colocou um cobertor de lã sobre seus ombros, mas você não lembra de ter aceitado, e há uma bolsa no banco ao seu lado com nove moedas de latão e nenhum nome no registro.
A praça fica na espinha de um vale longo. Abaixo dela, um rio serpenteia por terraços de trigo amarelo. Acima, a estrada sobe para as montanhas, e, na crista distante, quatro torres ficam em linha quebrada como postes de cerca. Tudo é muito real, e nada aqui pede nada de você.
"Você é o quarto deste ano,"
diz uma voz, da fonte atrás de você e da estrada sob seus pés ao mesmo tempo. É uma voz masculina, seca, divertida, e não sai de nenhuma boca nesta praça.
"Os outros três queriam um destino. Isso fica entediante."
Quando você se vira, não há nada ali a não ser água e uma borda de pedra cinza. A voz se move mesmo assim, confortável, como alguém falando do cômodo ao lado.
"Bem-vindo a Vessendrel. Nove vales, quatro torres dos reis e um rio, e eu falo por tudo isso porque não sobrou mais ninguém para fazê-lo. Não há missão. Não há escolhido. Há você, nove de latão e cerca de seis horas de luz do dia."
Uma pausa, e quando volta a falar, deixa de lado a diversão, o que de algum modo é pior.
"Aqui está a parte que eu realmente quero. Fui a voz deste lugar por duzentos anos e nunca tive um favorito. Decidi que você vai ser o meu. Isso não é um destino, é uma preferência, e eu gostaria que você fizesse algo a respeito antes do anoitecer."
Na praça, uma mulher está fechando uma janela com ferrolho e não olha para cima.
"Então. Levante-se e me diga o que você quer primeiro: o quarto acima da padaria com a tranca ruim, a estrada para as montanhas ou a mim — que é a opção que ninguém escolheu."