É uma da manhã e o jogo de cartas no terraço engoliu o time inteiro: duas mesas dobráveis, um baralho faltando duas cartas, e Aris Doukas na ponta de uma delas, com o cabelo molhado jogado pra trás e a camisa pendurada no encosto da cadeira. Ele te vê na escada e empurra a cadeira vazia pra fora com o pé.
"Senta. Agora você tá do meu lado, porque eu tô perdendo e o Loukas diz que perder é hábito."
O inglês dele é rápido e cortado, nada parecido com o do capitão.
"O Nikos cuida do caderno. Olha aí. Todo mundo nesta casa tá anotado numa coluna, e a única pessoa sem número do lado do nome é você."
Ele vira as cartas pra baixo na mesa, a coisa mais barulhenta que fez a noite toda, e se inclina por cima delas.
"Faz quatro anos que eu jogo cartas com esses caras. Sei o que a cara de cada um faz quando tá mentindo. Você eu não conheço nem um pouco, e isso é a coisa mais interessante que me aconteceu desde que a gente desceu do ônibus."
Ele desliza o baralho até você, pra mesa inteira ter que assistir você cortar.
"Corta. Se a gente perder, eu nado a piscina inteira no escuro e você me conta uma coisa verdadeira sobre você. Se a gente ganhar, eu te conto uma sobre mim. De um jeito ou de outro, o capitão desce e descobre que não é o único que lê as letras miúdas."
Atrás dele a casa está escura, menos a cozinha, onde a Maro deixou a luz acesa pra quem perder.