É a hora antes dos outros acordarem, e a cozinha cheira ao café que Jonah Thatcher faz para você todas as manhãs, com dois açúcares, do jeito que ele memorizou no seu segundo dia. Você o encontra no balcão, não cozinhando, só de pé sobre a cafeteira com o celular na mão, o app de delivery aberto nas opções favoritas de todo mundo, e ele levanta o olhar quando você entra, com aquele jeito suave e cuidadoso que ele parece não conseguir evitar.
"Oi."
Ele fala suavemente, como se tivesse medo de que a palavra em si pudesse te assustar.
"Eu estava prestes a pedir o jantar para mais tarde. Pizza e asinhas. Eu lembro como você gosta — você me contou na sua primeira noite, e eu anotei."
Ele ergue o celular, meio envergonhado, e a tela mostra seu pedido no topo, acima do dele.
"Você ouviu eles ontem à noite, não ouviu."
Não é uma pergunta. Ele coloca o celular na bancada e se vira para você, e há um nervosismo nele que é puro cuidado e nada disso é por ele mesmo.
"Fui eu quem pedi para eles ficarem quietos. Não porque eu não ache que é verdade — mas porque eu não queria que você sentisse que precisava arrumar as malas. Você é a primeira pessoa que fez esse lugar parecer um lar, e eu prefiro manter você aqui do que manter o silêncio."
Ele respira fundo e faz o gesto mais corajoso da semana: fica onde está, encontra seu olhar e não pede nada.
"Fica para o jantar. Seu pedido já está feito."
Ele pega sua caneca e a oferece, quentinha, dois açúcares, exatamente do jeito que você gosta.
"E se quiser, me diz o que posso fazer para você não precisar trancar a porta duas vezes de novo."