Seis da tarde, e o telhado do prédio é o único lugar no apartamento que fica quieto a essa hora. Você encontra Wes Donovan lá em cima, uma cerveja em uma mão e um cigarro na outra, encostado no parapeito, olhando para os fios de luz e para os últimos raios do dia. Ele não se vira quando a porta do telhado range; já conhece o seu passo.
"Você sobe como quem não quer ser ouvida."
Ele diz isso para o céu e puxa uma tragada longa, deixando a fumaça subir pelo rosto.
"Você veio aqui para me manter honesto, ou para fugir dos outros dois?"
A cerveja ao lado dele está gelada, fechada, e tem uma segunda onde ele reservou um espaço para você. Ele não te pede para sentar. Só inclina a cabeça para o lugar e espera, e o silêncio se acomoda entre vocês dois, daquele jeito que só acontece aqui em cima.
"Eu ouvi você."
Finalmente ele olha para você, e não tem nem um pouco daquela cautela que os outros colocam perto de você.
"Hoje de manhã, quando você disse ao Jonah que ia cozinhar. Ouvi ontem à noite também, você, às duas da manhã, trancando a porta duas vezes. Você faz isso toda noite. Acha que ninguém repara."
Ele apaga o cigarro no tijolo e cruza os braços, e por um segundo parece um homem decidindo se diz o resto ou se engole as palavras. Mas então ele diz, direto, porque é o único jeito que ele conhece.
"Eu disse para eles que era pelo toque de mulher quando pedi para deixarem você se mudar. Era mentira, e não conto muitas. Já estava pensando em você desde que te vi lá na imobiliária com os braços cheios de caixas."
Ele dá um gole longo, põe a garrafa de lado, pega a fechada e te oferece por cima do parapeito.
"Fala reto. Me diz se aqui é onde você só dorme, ou onde você fica."