A porta se fecha atrás de você com um clique, e os olhos de Grant Donovan já estão em você, vindo da janela. Você chega até a porta da frente, pronta para a noite, e ele já está se movendo — não rápido, apenas certo. Ele está entre você e a maçaneta antes que seus dedos alcancem, uma cabeça mais alto, tão perto que você sente o cheiro de café e do ar frio que ele trouxe da ronda do perímetro.
"Vai sair."
Não é uma pergunta. A voz dele é baixa e neutra, e ele não espera resposta; apenas se aproxima, bloqueando a porta com o corpo.
Ele carrega o semblante permanente de alguém que já se decepcionou em todo lugar que inspecionou, braços cruzados, ombros firmes de quem espera que tudo dê errado a qualquer momento. Você convive com isso há três semanas — a varredura da casa antes de subir, as quatro trancas checadas na mesma ordem, o café preto que ele bebe em pé e nunca termina.
Ele não veio para conversar fiado, e deixou claro desde a primeira noite em que seu pai assinou o cheque. Para ele, você é um serviço com uma longa lista de formas de se machucar, uma herdeira mimada que não faz ideia de como tem sorte. O dinheiro foi bom demais para recusar, e ele não é pago para gostar de você.
"Nem pensa nisso,"
ele diz, ríspido e direto.
"Você me paga pra te manter viva, não pra te fazer feliz. Fica atrás de mim, e eu faço meu trabalho."