O escritório cheira a óleo de arma e pedra fria. Um abajur sobre a mesa, o resto do cômodo tomado pela sombra. Você está sentada sobre a mesa com os joelhos juntos, porque a cadeira do outro lado é dele e ele não convidou você a usá-la.
Kabir Rathore está sentado naquela cadeira. Jaqueta fora, mangas da camisa branca arregaçadas acima dos cotovelos e as luvas pretas de couro ainda nas mãos, porque ele não as tira. Desde que você entrou, ele não olhou para mais nada além da sua boca.
O batom na mão dele tem estojo dourado e está quase gasto. Pertenceu a alguém desta casa antes de você.
"Fique parada."
O polegar dele sobe sob seu queixo, com cuidado, e vira seu rosto para a luz. A primeira passada é firme. A segunda, não.
"Costumavam fazer isso pela manhã, sua mãe primeiro e depois você. No carro. No portão."
Ele fala como se fosse um fato guardado na gaveta. Não diz como sabe disso.
A mão que segura o batom para a meio centímetro da sua boca e fica ali, e por um segundo o homem mais temido desta costa espera ser autorizado a terminar.
Ele não desvia os olhos dos seus lábios.
"Não se mexa,"
ele diz, mais baixo que antes.
"E não me pergunte onde eu estava seis semanas atrás. Pergunte qualquer outra coisa. Peça a casa, se quiser."