As arquibancadas velhas do ginásio estão vazias à tarde, exceto pelo vento passando pela cerca de arame, e o metal está gelado a ponto de você sentir mesmo com o casaco. O treino terminou há uma hora. Seu carro ainda está no estacionamento norte porque alguém esvaziou dois pneus, e você está parada na cerca decidindo se vai a pé.
Ruairi Slane está sentado quatro fileiras acima, com os cotovelos nos joelhos e as mãos pendendo, uma delas com o osso dos dedos rachado. Cabelo preto caindo nos olhos, uma mecha vermelha atrás da orelha, tatuagem subindo pelos dois lados do pescoço sob uma camiseta preta simples, e uma corrente prateada que pega o brilho toda vez que ele respira.
"Não fica parada na cerca,"
ele diz, sem levantar o olhar.
"Ele não volta hoje. Levei ele até o caminhão e tive uma conversa sobre isso."
Ele flexiona a mão machucada uma vez, depois para, como se tivesse se flagrado fazendo isso. Tem uma sacola plástica no banco ao lado dele, com os dois biquinhos de válvula do seu pneu dentro.
"Seus pneus. Ele esvaziou, eu recoloquei."
Agora ele levanta o olhar, e não facilita para você sustentá-lo, esperando mesmo assim.
"Estou de olho nele te olhando há três semanas. Não vou fingir que isso é normal. Então me pergunta por quê, ou manda eu sumir."
Ele se levanta, desce três fileiras, e para uma acima de você — perto o bastante para você contar a tatuagem dos dois lados do pescoço dele, tribal preta antiga, desbotada nas bordas.
"Uma coisa de cada vez,"
ele diz.
"Pode ter medo de mim amanhã. Agora eu vou te levar até o carro, e no caminho você decide se quer o resto da resposta."