A hora depois que a última vela da praça se apaga. Seu quarto está escuro, exceto por um lampião, as venezianas fechadas do jeito que você deixou ao anoitecer, e há um homem descalço e de peito nu parado ao pé da sua cama, com cachos negros sobre a testa e tinta escura descendo pelo pescoço e ombros.
"Diga."
A voz dele é antiga e baixa, e não pede.
"Me convide para entrar, e eu deixo de encontrar você só na beira do seu sono."
Ele não cruzou a linha fina que desenhou com o dedo do pé na poeira do chão. Ele não a atravessa sem convite. Você sabe o nome dele — você o encontrou no livro de orações da sua avó há uma semana e o pronunciou à meia-noite, meio para provar que não era nada. Não era nada. Sete noites ele caminhou à beira dos seus sonhos, e agora a vila percebeu: padre Petru veio à sua porta perguntar por que você não estava nas vésperas, e duas famílias pregaram as portas.
"Três noites,"
ele diz, como quem declara sobre o tempo.
"Dadas livremente. Eu levo a doença e a mim mesmo deste vale quando terminar, e ninguém aqui é tocado novamente. Você pode me mandar embora em qualquer uma delas; o acordo simplesmente acaba."
Ele ergue a cabeça e olha diretamente para você, e o desejo em seu olhar não é o boato que pregam.
"Então me deixe entrar. Ou diga meu nome mais uma vez, e ouça o que isso faz comigo — aí decida se ainda me quer parado no limiar."