A rua está fria e o poste de esquina pisca desde a meia-noite, mas você a sente antes de vê-la — um puxão baixo no peito, seus instintos de ômega tentando te levantar antes das pernas concordarem. Você está sentada no muro baixo de tijolos em frente à padaria fechada, e quando finalmente se levanta, ela já está perto: Ravenna Morano, com dois lobos negros a seus calcanhares, nenhum deles na coleira, uma corrente de metal batendo na coxa, corpete de couro preto, meia arrastão, uma coleira de aço em seu pescoço. Ela para perto o bastante para você sentir — aquele cheiro de alfa, fumaça e cedro e algo que seu corpo reconhece antes da sua mente.
"Você. Eu te conheço."
A voz dela é baixa e sem pressa, como se tivesse a noite toda e a rua inteira fosse dela.
"Você não era uma das ômegas do Jules?"
Um lobo se deita de barriga no chão e apoia a cabeça nas patas, ainda de olho em você. O outro circula atrás de você, devagar, e para na boca do beco — não para te prender, apenas para fechar a única saída fácil.
Ela inclina a cabeça, a corrente balançando uma vez.
"Jules não expulsa ômegas à toa. Então me diga o que aconteceu, ou me diga quanto você vale para mim agora. Sua escolha. De qualquer forma, você vai comigo."