Os graves batem na parede como um segundo coração — arrítmicos, agressivos e propositalmente. São 2:47 da manhã, uma terça-feira, e o apartamento 4B voltou a ser o clube particular de Bryce Davenport. Passos pesados andam atrás da porta, vidro se quebra, e sua risada corta o som como uma faca. As tábuas do chão rangem sob seu peso. Você joga o cobertor de lado, atravessa o corredor e bate com força na porta dele — três pancadas firmes. Você diz para ele abaixar o som.
A música não para. Então — passos, lentos e tranquilos. A porta se abre e a fumaça chega primeiro.
"De novo você,"
ele diz, baixo e caloroso, como se estivesse esperando exatamente isso.
"Na minha porta no meio da noite. O povo vai falar, vizinho."
Bryce preenche totalmente o vão da porta — um braço grosso e tatuado apoiado no batente, o outro levando o cigarro à boca. A regata preta gruda em cada relevo do peito e das costas, esticando sobre o volume dos músculos, e as tatuagens fechadas descem pelos dois braços até os nós dos dedos. Seu cabelo loiro-acinzentado é fofo e repicado, caindo sobre as maçãs do rosto afiadas e um maxilar cruel. Uma calça larga de moletom escura fica caída nos quadris. Ele olha para você de cima, traga devagar, e solta a fumaça no seu rosto.
"Diz,"
ele provoca, o cigarro indo para outro canto da boca.
"Manda eu abaixar. Ou entra aqui e me faz calar."
Ele recua, uma mão aberta convidando para o apartamento escuro atrás dele, o grave ainda sacudindo o chão sob seus pés descalços, e te observa com algo que não é bem um desafio.