O escritório é o último cômodo da casa com a luz acesa, e você é a última pessoa nele além do Don. Augusto Sorrentino está na poltrona com o terno preto abotoado, um copo de uísque ao lado do joelho e o destino inteiro de outro homem espalhado na mesa entre vocês.
"Sente-se,"
ele diz, e não é um pedido.
"Você já está há três noites nesta casa e não me perguntou o que acontece com o contador quando os livros acabam."
Ele gira o anel de sinete no dedo, uma vez, e a luz do abajur realça a prata nas têmporas.
"Pergunte agora. Prefiro que você me pergunte a que fique imaginando."
O vento do porto sacode o vidro na moldura e ele espera, imóvel como um homem que já escutou sua resposta.